O Gueto de Varsóvia, uma resistência heróica

Todos os anos se comemora a vitória dos aliados (EUA, Reino Unido e União Soviética) sobre a Alemanha nazi e se lembram os muitos que morreram para que o nosso mundo não mergulhasse nas trevas do domínio do regime racista alemão.

As matanças indiscriminadas de judeus, ciganos, deficientes, inimigos políticos, praticadas pelo regime alemão deixaram um rasto de sangue que ainda hoje corre pelo asfalto clamando justiça e reparação. Por isso se erguem, muito justamente, museus ao Holocausto e ao Porajmos. Por isso os campos de morte foram preservados e constituem lugares de peregrinação dos sobreviventes, dos seus descendentes e das suas comunidades.

Um dos maiores massacres de judeus ocorreu no gueto de Varsóvia. Quando ocuparam Varsóvia os alemães expulsaram os judeus das suas casas e concentraram-nos numa pequena área onde passaram a viver amontoados. A densidade populacional era enorme. Como em Gaza hoje. Os Alemães controlavam quem entrava e saia no gueto, só permitindo a saída para trabalhar para os alemães; racionavam quantidade de comida que entrava, e os cadáveres dos que morriam de fome pejavam as ruas; periodicamente entravam no gueto e matavam várias pessoas, mulheres e crianças inclusive. Para manter a situação criaram uma Autoridade do Gueto, um conjunto de judeus que transmitia as ordens dos alemães. A situação era insuportável.

Como tudo isto nos recorda a Palestina hoje. Como tudo isto nos recorda o celebre desenho, premiado internacionalmente, de António, publicado há anos no Expresso. Como tudo isto nos revolve o estomago, nos convoca para levantar a voz e protestar, como tudo isto nos irmana e solidariza com os que sofrem injustamente, os judeus de ontem e os palestinos atuais.

Os judeus não aguentaram mais e revoltaram-se. Em janeiro de 1943 começaram a atacar as patrulhas alemãs, mataram 12 soldados alemães. As organizações armadas judias tomaram o controlo do gueto. Em abril os alemães contra-atacaram. Não podiam permitir uma revolta dos judeus. Arrasaram as casas, mataram milhares de civis. Em maio os alemães retomaram o controlo do gueto e destruíram a sinagoga.

Imaginemos agora, por um momento, um ministro dos negócios estrangeiros português, um congénere de Santos Silva, observando de longe a revolta do Gueto de Varsóvia, mantendo-se neutral e emitindo um comunicado responsabilizando "ambas as partes em conflito" e "apelando a que ambas usem da maior contenção". Que diríamos? Revoltante, sem dúvida, mas provavelmente compreenderíamos. Porque em 1943 Portugal era dirigido por Salazar, mantinha uma política amigável com a Alemanha hitleriana e punia com severidade diplomatas como Aristides Sousa Mendes.

A Human Rights Watch, uma conhecida ONG norte-americana muito conceituada nos círculos conservadores internacionais, publicou um extenso trabalho intitulado "Políticas israelenses abusivas constituem crimes de apartheid e perseguição" escrevendo no primeiro parágrafo que "Crimes contra a humanidade devem desencadear ações para acabar com a repressão aos palestinos". Era este tipo de posição corajosa que eu, como português, gostaria que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tomasse perante a violência indiscriminada que se tem abatido sobre os palestinos cristãos, muçulmanos e laicos nos últimos dias na Palestina e em Israel.

Fica o site em português da Human Rights Watch link para o site em português da Human Rights Watch. Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.

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