O incómodo indisfarçável

O tempo voa, já diziam os nossos avós. Nesta pandemia, sentimos isso na pele. Os dias, as semanas, os meses desaparecem debaixo dos nossos pés, quase sem darmos conta. Por vezes, parece que caminhamos sobre uma passadeira rolante (presença habitual nos ginásios), sem sair do mesmo sítio. O cerco à cidade de Lisboa vinca ainda mais esta sensação. Tanta luta, trabalho, sacrifício, abnegação e tudo na mesma ou pior. O cerco à capital pode voltar a colocar um travão na economia e as consequências dessa travagem irão alastrar-se a outras regiões.

A passagem rápida do tempo faz também com que nos aproximemos perigosamente do final das moratórias. Essa linha vermelha já se transformou num incómodo indisfarçável para muitos setores de atividade. A AHRESP defendeu ontem a prorrogação das moratórias bancárias até ao final de março de 2022, de forma a garantir a sustentabilidade dos negócios e a manutenção dos postos de trabalho.

Diz que perante a enorme incerteza da evolução da pandemia de covid-19, em conjunto com as atuais restrições de circulação internacional dos principais mercados emissores de turistas internacionais, nomeadamente do mercado britânico, a época de verão não irá permitir o reforço de tesouraria que as empresas portuguesas tanto necessitam. Assim, se as moratórias bancárias forem efetivamente extintas a 30 de setembro, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares antevê que as empresas não terão quaisquer condições de cumprir com as responsabilidades bancárias do período pré-pandemia, às quais se juntam ainda todos os endividamentos contratualizados desde março 2020 para sobreviver a esta crise sem precedentes.

À prorrogação das moratórias bancárias junta-se a relevância dos planos de amortização que são essenciais no entender do setor e cujos prazos de amortização devem ser prorrogados "no mínimo por mais 10 anos, reduzindo significativamente os encargos das empresas", pede a AHRESP.
Este é apenas um dos exemplos de um setor que vive na angústia de obter uma vacina de média ou longa duração. Uma poção que proteja as empresas, mas também os bancos.

Jornalista

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