O inesperado excedente da BBS!

Sem um maior foco no apoio à produtividade e competitividade, continuaremos a ser ultrapassados por países que entraram depois de nós na UE

Como apontavam as previsões, em 2019, o saldo externo da economia portuguesa, avaliado pelo saldo conjunto da balança corrente e de capital, manteve-se positivo. Porém, é já bem clara a sua redução, para 0,9% do PIB (face a 1,4%, em 2018).

Esta nova redução do saldo externo deve-se exclusivamente à evolução desfavorável da balança corrente, que, após seis anos de excedente, regressou a um saldo negativo (-0,1% do PIB), a refletir, sobretudo, a deterioração da balança de serviços, cujo excedente diminuiu para 8,3% do PIB, já pouco acima do défice da balança de bens (que se agravou para 7,9% do PIB).

A grande novidade é a manutenção do excedente da BBS - balança de bens e serviços, o que constitui, em si, uma boa notícia e vem contrariar (felizmente!) as expectativas que tinha até ao conhecimento destes números e as projeções oficiais, que ainda em dezembro apontavam para um défice de 0,6% do PIB. Na prática, significa que a BBS teve uma melhoria de magnitude assinalável: em +1 ponto percentual do PIB, face às projeções.

Estaremos, assim, a falar de uma melhoria superior a 2 mil milhões de euros, face ao previsto, pelo que é importante perceber as razões subjacentes a esta evolução mais favorável.

Sabemos que, em parte, poderá estar ligada a revisões na informação do comércio internacional.

Na estimativa rápida das contas nacionais trimestrais, o INE sublinha o contributo positivo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB no 4.0 trimestre, o que aconteceu pela primeira vez no ano, em resultado da aceleração das exportações e desaceleração das importações.

Em 2019, o crescimento do PIB abrandou para 2%, mas aparenta um padrão mais saudável, por assentar num contributo menos intenso da procura interna (abrandamento do consumo) e num contributo menos negativo, face a 2018, da procura externa líquida. Mas é necessário esperar por mais informação!

Importa apoiar a competitividade das empresas nos mercados internacionais, exportar com maior valor acrescentado e valorizar a oferta nacional, para que possamos crescer mais e melhor.

Continuamos a crescer acima da média europeia de forma muito ténue, face ao nosso atraso relativo.

Sem um maior foco no apoio à produtividade e competitividade das empresas, rapidamente continuaremos a ser ultrapassados por países que entraram depois de nós na União Europeia - e são já vários!

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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