Opinião

O “momento iPhone” na era 5G

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, na apresentação da empresa no Mobile World Congress Los Angeles 2019
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, na apresentação da empresa no Mobile World Congress Los Angeles 2019

Todas as coisas serão inteligentes, tudo o que se move será autónomo, e estas coisas não terão pessoas a controlar ou supervisionar a sua operação

O espectáculo montado pelo saudoso Steve Jobs nas apresentações da Apple e a importância dada pela marca ao design e ao posicionamento dos seus produtos criou em muita gente a impressão de que na maçã havia mais marketing que excelência. Que os preços elevados pagavam a marca e não a qualidade. Ontem, na abertura do Mobile World Congress Américas, em Los Angeles, o CEO da Nvidia Jensen Huang lembrou a toda a gente como essa percepção está errada.

“O iPhone trouxe disrupção a todas as indústrias”, afirmou o executivo, no palco do Petree Hall no centro de convenções de LA. “Produtos que usávamos então desapareceram completamente. Foi criada uma indústria enorme em cima desta plataforma”, frisou.

O que tornou o iPhone distinto, argumentou, foi o facto de que este era um smartphone definido por software. Com a criação da App Store original, deu aos programadores a capacidade de desenvolverem serviços e aplicações com que nunca tínhamos sonhado.

“Doze anos depois, está a começar uma nova era.” Segundo Huang, esta nova era é a revolução da Internet das Coisas, que será possibilitada por algumas condições fundamentais, começando com a inteligência artificial e o 5G.

“Na IoT, tudo irá tornar-se inteligente e ligado à nuvem”, descreveu Huang. “Todas as empresas terão a oportunidade de ter o seu momento iPhone.”

É difícil imaginar um mundo em que os disruptores são a norma, porque nenhum mercado sobrevive em estado de constante revolução. Mas o cenário proposto pelo CEO da Nvidia é tão interessante como assustador: todas as coisas serão inteligentes; tudo o que se move será autónomo; e estas coisas não terão pessoas a controlar ou supervisionar a sua operação, ao contrário do smartphone que anda no nosso bolso. “Serão biliões de coisas autónomas ligadas à Internet.”

Ora, a ideia de que tudo estará online não é nova, mas a perspectiva de que terão autonomia coloca inúmeras novas questões. Jensen Huang usou uma metáfora do universo Marvel (Vingadores) para pintar o quadro do futuro à audiência, mas podia bem ter ido buscar o Exterminador Implacável e a sua Skynet. Era mesmo a propósito, com o novo filme da saga à beira de estrear. Foi uma oportunidade perdida pelo CEO da tecnológica porque a sua intenção era preparar o caminho para a explanação de um futuro hiper-conectado e inteligente, não a visão apocalíptica de outros visionários da indústria.

O que Huang prevê é que a incrível largura de banda e baixa latência do 5G vai exigir redes de transporte de comunicação muito mais inteligentes, e que isso abrirá a comporta para todo o tipo de aplicações, muitas das quais nem imaginámos ainda. É claro, a Nvidia defende que o seu novo supercomputador de edge EGX é a chave para essa transformação, e foi esse peixe que Huang pretendeu vender nesta apresentação.

De entre todos os parceiros apresentados e os casos de uso que já estão em curso, todavia, chamou a atenção o potencial nas smart cities. Las Vegas e São Francisco são duas das cidades que já estão a usar a plataforma e, em semana de Portugal Mobi Summit, o tema é mais relevante do que nunca.

Uma das infraestruturas de software contidas na plataforma é a Metropolis IoT, desenhada para suportar aplicações de cidades inteligentes. Imaginem: sensores e câmaras espalhados por todo o lado com um fluxo de dados em tempo real que não sobrecarrega os CPU; sensores e automação nas propriedades agrícolas que permitem aumentar o rendimento do cultivo e poupar recursos escassos; robôs capazes de compreenderem pedidos em contexto a trabalharem lado a lado com humanos em fábricas.

Da “Inteligência Artificial Multimodal” à “Realidade Aumentada Extrema”, a apresentação da Nvidia em antecipação a um evento que será dominado pelo 5G reuniu em duas horas uma série de potenciais “momentos iPhone” pelos quais estamos prestes a passar como sociedade. A sensação que dá é que se está a formar a tempestade perfeita e que a revolução será repentina e em várias frentes. Os loucos anos vinte estão (novamente) à porta.

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