O mundo do trabalho está a mudar

Está a mudar porque o impacto das 4 forças futuras do mundo do trabalho está mais intenso e veloz do alguma vez sentimos. As transformações tecnológicas são mais regulares, as taxas de natalidade continuam a não acompanhar a necessidade de Talento ao mesmo tempo que as nacionalidades determinam cada vez menos onde podemos trabalhar porque o conceito de fronteira também se transforma, os clientes são cada vez mais sofisticados e as escolhas individuais têm um papel cada vez mais presente.

Por via disto, alteram-se as competências desejadas pelos empregadores, mas também as necessidades dos colaboradores. De acordo com o estudo do ManpowerGroup, What Workers Want, entre os principais desejos dos colaboradores encontramos: 1) passar mais tempo com as suas famílias, 2) horários flexíveis ou 3) modelos que permitam trabalhar fora do escritório.

Na prática, encontramo-nos num momento em que o desejo de trabalhar de maneira diferente combina com o desejo de entregar coisas diferentes aos clientes, por via da exigência destes. Daqui resulta uma responsabilidade partilhada entre empregadores e colaboradores: o desenvolvimento de novas competências, que permitam fazer face a um ciclo de talento cada vez mais curto. E a diferença fundamental é essa: O Ciclo de Talento está mais curto.

Partilhada porquê? Porque as empresas devem adotar uma política de Desenvolvimento de Talento, por oposição à de consumidores de trabalho. Mas, os colaboradores também assumem a responsabilidade de alimentar a sua Learnability como fator diferenciador na manutenção de empregabilidade e no acesso à desejada flexibilidade.

A Gig Economy é favorecida por este contexto, porque é dos modelos que melhor combina os conceitos de Flexibilidade, Responsabilidade de Sustento, Upskilling e Reskilling.

Há já vários anos que assistíamos a uma crescente apetência por modelos assentes em flexibilidade, independência, polivalência, onde os profissionais trabalham de forma externa às organizações, em regime freelancer e sem exclusividade. A pandemia veio ainda acelerar este movimento.

Um estudo da Boston Consulting Group, caracteriza os freelancers europeus como indivíduos com mais de 40 anos de idade com um elevado grau de educação (mais de 75% são licenciados), que habitam nas zonas citadinas e, maioritariamente, passaram de empregados a freelancers por iniciativa própria há menos de uma década. Mais de 80% dos inquiridos trabalham em tecnologia, análise de dados, comunicação e marketing e web ou fotografia. De entre as características que mais valorizam neste modelo de trabalho, destacam-se a autonomia na gestão do próprio tempo (identificada por 81% dos respondentes), a liberdade de escolha de tarefas a desempenhar e dos trabalhos a aceitar (que referem 76% dos inquiridos) e a escolha do local de trabalho (mencionada por 73%).

Estes números refletem o que referimos anteriormente. Por via da necessidade de desenvolver as suas competências, a um ritmo mais acelerado a Gig Economy é hoje uma escolha e não um recurso. De acordo com o estudo #GigResponsibly do ManpowerGroup, 87% dos trabalhadores estariam recetivos a este modelo de trabalho, e as razões apontadas são os rendimentos mais elevados, a oportunidade de desenvolvimento de competências, o maior controlo sobre o ambicionado Work Life Balance, a oportunidade de fazer coisas diferentes e, ainda; poder passar mais tempo com a família.

Este modelo leva igualmente à descoberta de pools alternativas de talento, às quais as empresas poderiam não ter acesso por via dos modelos tradicionais de trabalho.

A disponibilidade de novos modelos de trabalho, que poderão passar por um menor vínculo à organização, aliada a um reconhecimento individual que não pode ser descurado, poderão ser a solução para conseguir colaboradores satisfeitos e comprometidos com a organização e os seus projetos, e empresas de sucesso, ágeis e inovadoras.

O mercado dá-nos bons exemplos do êxito desta estratégia, com o crescimento de plataformas como a Upwork ou a Freelance, que contam já com muitos milhões de utilizadores. Em Portugal, o ManpowerGroup lançou recentemente a TalentSpot, uma plataforma verticalizada que capitaliza as capacidades de uma rede de recrutadores freelancers especializados, para potenciar o acesso a candidatos das áreas de tecnologia.

O segredo para que isto funcione? Que as organizações aceitem as necessidades dos colaboradores, e que consigam através das suas políticas de gestão de Talento, equilibrar o desejo de Flexibilidade com a Responsabilidade de garantir a sustentabilidade dos seus modelos de negócio. Isto será feito garantindo aos trabalhadores Next Gen condições que normalmente associamos apenas a vínculos permanentes.

Vítor Antunes, managing director ManpowerGroup

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