Opinião

O novo normal

Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Os tempos incertos e complexos que estamos a viver suscitam também uma reflexão séria sobre o futuro que aí vem. Neste Novo Normal que passámos a viver, ganha nova dimensão a a adequada gestão do Valor Partilhado, nos termos propostos por Michael Porter. Segundo o conceituado especialista, o Valor Transaccionável gerado no mercado deverá ser partilhado de forma adequada e justa pela sociedade, de forma a garantir mecanismos de resposta às necessidades crescentes de segmentos da população sem alternativas de rendimento. O Valor Partilhado é assim o compromisso de afirmação da Responsabilidade Social por parte das organizações num mundo global com crescentes exigências. Saber Partilhar é um Imperativo de Agenda numa sociedade com menos recursos e menos ativos e em que temos que saber construir um Novo Normal adequado para todos.

O Estado e as Empresas têm hoje uma Responsabilidade Social acrescida e mais exigente. A gestão de expectativas é hoje fundamental e quando se começaram a agudizar os sinais de falta de controlo na gestão operacional das contas públicas criou-se o imperativo da necessidade da intervenção. O Estado assumiu a condução do processo, para evitar a contaminação do sistema e a geração de riscos sistémicos com consequências incontroláveis, mas as dúvidas mantiveram-se em muitos quanto à existência de soluções alternativas mais condicentes com o funcionamento das regras do mercado. A Responsabilidade Social implica hoje um novo Contrato de Confiança entre os diferentes actores económicos e sociais e só com uma verdadeira mobilização e participação se conseguirão resultados concretos.

A sociedade civil tem nesta matéria um papel central. Os novos actores sociais, na sua diferença e no seu sucesso, são o resultado dum “tecido social” que se pretende voltado para um futuro permanente. Os índices de absorção positiva por parte da sociedade dos contributos relevantes destes novos actores passam muito pela estabilização de condições estruturais essenciais. A matriz comportamental da “população socialmente activa” das actuais sociedades é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Ou seja. Dificilmente se conseguirá impor por decreto este movimento colectivo de aproveitamento do activo central que constitui a experiência dos novos actores nesta ligação entre economia e sociedade. A resposta tem que partir da própria sociedade e todos temos uma particular responsabilidade nessa matéria.

Neste Novo Normal, importa de forma clara consolidar o posicionamento de todos aqueles que têm um contributo a dar para a afirmação duma identidade partilhada e aceite por todos. Nem sempre se tem conseguido corresponder a este desafio. Querer cultivar a pequenez e aumentá-la numa envolvente já de si pequena é firmar um atestado de incapacidade e de falta de crença no futuro. É doentia a incapacidade em definir, operacionalizar e dinamizar a lógica de “Capital Social” na Nova Sociedade. Por isso, e mais do que nunca, a “inteligência colectiva” no aproveitamento das contribuições destes novos actores torna-se nesta matéria um dado fundamental com que se deve contar para a afirmação de uma Sociedade mais equilibrada e justa.

A consolidação do papel destes novos actores entre nós passa em grande medida pela efectiva responsabilidade nesse processo dos diferentes actores envolvidos – Estado, Universidade e Empresas. Todos eles têm que nesta matéria saber estar à altura destas expectativas de participação / colaboração tão próprias da Sociedade Aberta que esperemos que este Novo Normal também configure. Impõe-se neste sentido uma articulação adequada ente estes actores relativamente a um “consenso estratégico” à volta do adequado aproveitamento do capital de contribuição destes novos actores. Um desígnio de reinvenção que acelere uma verdadeira acção colectiva de mobilização de ideias e vontades em torno duma mudança desejada.

É aqui que entram os novos actores. Compete a estes “actores de distinção” um papel decisivo na “intermediação operativa” entre os que estão no topo e os que estão na base da pirâmide. Só com um elevado “índice de capital intelectual” se conseguirá sustentar uma participação consistente na renovação do “modelo social” e na criação de plataformas de valor global sustentadas para os diferentes segmentos territoriais e populacionais. É esta a essência do Novo Normal.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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