Opinião: Rosália Amorim

O oceano azul de que precisamos

O primeiro-ministro, António Costa (E), ladeado pelo ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira (D), durante o debate parlamentar que antecede a votação do texto final apresentado pela Comissão de Orçamento e Finanças que aprova o Orçamento Suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 03 de julho de 2020. O parlamento deverá aprovar hoje, em votação final global, a proposta de orçamento suplementar, que se destina a responder às consequências económicas e sociais provocadas pela pandemia de covid-19. MIGUEL A. LOPES/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa (E), ladeado pelo ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira (D), durante o debate parlamentar que antecede a votação do texto final apresentado pela Comissão de Orçamento e Finanças que aprova o Orçamento Suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 03 de julho de 2020. O parlamento deverá aprovar hoje, em votação final global, a proposta de orçamento suplementar, que se destina a responder às consequências económicas e sociais provocadas pela pandemia de covid-19. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O produto interno bruto (PIB) nacional registou uma contração em cadeia de 14,1% no segundo trimestre, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Em termos homólogos, a quebra é de 16,5%. Ao contributo negativo da procura interna, do consumo privado e do investimento, acresce a queda nas exportações. Os campeões nacionais não conseguiram vender lá fora, sobretudo nos países da União Europeia. Os nossos principais parceiros comerciais estão entre os que mais sofreram com a pandemia. Segundo o Eurostat, a quebra do PIB espanhol, principal destino das exportações nacionais, foi de 22,1%, sendo de 19% em França, de 17,3% em Itália e de 10,1% na Alemanha. Há muito que se debate a necessidade de novos mercados para as exportações e está à vista agora o impacto da dependência de poucos destinos.

Nesta conjuntura, são escassos os casos de empresas que conseguem crescer. Até o setor da grande distribuição, que aumentou as vendas durante o confinamento, já recuou. Também o setor dos vinhos, que se aguentou no confinamento, já começou a cair. Mas há exceções, como é o caso de certas tecnológicas. Entre elas destaca-se a WeDo, cuja faturação está a crescer 30%. A empresa foca-se na gestão de fraude e de risco, áreas cuja procura sobe à medida que a era digital é acelerada, em parte por efeito da pandemia. “Somos a máscara do momento”; hoje “todos procuram soluções de gestão de fraude”, diz o CEO, Rui Paiva.

Perante uma grave crise, há que encontrar o oceano azul de cada organização. O conceito foi criado por Chan Kim e Renée Mauborgne, no livro A Estratégia do Oceano Azul, que desafia as empresas a transpor as barreiras dos setores já existentes – o oceano vermelho, onde a concorrência é intensa e onde tentam superar os rivais para comer uma fatia da procura, mas de forma tradicional e com poucas perspetivas de crescimento. Para chegar ao oceano azul, as empresas devem desbravar espaços inexplorados do mercado, mergulhando em inovações e tornando a concorrência irrelevante.

Desbravar novos espaços nunca foi tão determinante para sobrevivermos e ainda conseguirmos crescer.

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