Opinião: Rosália Amorim

O OE suplementar e a melhor vacina

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão (D), ladeado pelo primeiro-ministro, António Costa (E), intervém durante o debate e votação da proposta do orçamento suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de junho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
O ministro de Estado e das Finanças, João Leão (D), ladeado pelo primeiro-ministro, António Costa (E), intervém durante o debate e votação da proposta do orçamento suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de junho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Nem a proximidade das férias nem a final da Champions têm forma para animar a economia. Dizer que ‘vai ficar tudo bem’ é fácil, mas não basta

Até 3 de julho ainda há muito a discutir entre o governo e a oposição, mas uma coisa é certa: o Orçamento do Estado (OE) Suplementar foi aprovado na generalidade. O novo OE vai ter de expandir a despesa, por força da pandemia. Avizinham-se debates duros na especialidade – até porque só o PS votou a favor do orçamento, com todos os partidos a querer agradar ao seu eleitorado e o Estado a ter cada vez menos recursos nos cofres públicos. A tarefa que o novo ministro das Finanças, João Leão, assume agora é hercúlea.

O governo prevê para este ano um défice de 6,3% e um rácio da dívida pública de 134,4% do PIB. O documento contempla, entre outras medidas, um reforço adicional do orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 500 milhões de euros e reserva cerca de 950 milhões de euros para injetar na TAP.

Nas próximas semanas, o desgaste político vai manter-se. Será impossível agradar a todos, manter a popularidade do Executivo em alta e ainda conseguir controlar o índice de contágio por covid-19, que começa a parecer fugir à tentativa de contenção na Grande Lisboa. Talvez por isso – são preocupantes os números em redor da capital – os sinais de confiança dos consumidores estejam ainda confinados. A proximidade do período de gozo de férias de verão ou o anúncio da final da Champions em Lisboa não estão, desta vez, a ser suficientes para ressuscitar a confiança e a vontade de consumir.

Já há mais de 1500 mortos e perto de 38 mil infetados em Portugal. Os voos internacionais vão começar a chegar, as fronteiras vão abrir no dia 1 de julho, mas os receios ainda são grandes. Se este editorial fosse apenas sobre números e um retrato económico, diria que “desconfinar é preciso”, mas como tudo é economia – incluindo a saúde –, é preciso escrever que o desconfinamento tem de ser muito cuidadoso, continuar a ser gradual e apenas no que é estritamente necessário para as nossas vidas e para a sustentabilidade das nossas organizações.

Dizer que vai ficar tudo bem é fácil, mas não basta. Só ficará tudo bem se continuarmos a ter consciência dos nossos atos. A responsabilidade individual, para já, continua a ser a melhor vacina.

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