O papel dos jovens na resposta aos desafios de hoje

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Juventude, é momento para refletir sobre a importância desta faixa etária para a sociedade e para o seu progresso. Reconhecidos pela irreverência que lhes é própria da idade, algo que se evidenciou ainda mais durante a pandemia, os jovens são também o motor da sociedade, pelo que o seu envolvimento, valorização e desenvolvimento no mundo do trabalho é de extrema relevância.

Apesar disso, Portugal debate-se, neste momento, com várias questões que dizem respeito ao futuro dos jovens, tais como o aumento das taxas de desemprego na camada dos 16 aos 20 anos - com valores que chegam aos 25,2%, segundo os últimos dados publicados pelo INE, ou o facto de existirem cada vez mais pessoas entre os 20 e os 34 anos, os nem-nem, que nem estudam nem trabalham, muitas vezes por falta de oportunidade ou de recursos.

Numa face contrária da moeda estão as empresas, que enfrentam uma crescente escassez de talento, com elevada dificuldade, por um lado, em encontrar pessoas com as competências que precisam e, por outro, em acompanhar a rápida evolução digital, claramente mais normalizada para as novas gerações. Apesar de muitas empresas terem um défice de profissionais em determinados postos de trabalho que exigem hard skills tecnológicas, o paradigma não muda, teimando em persistir o desemprego jovem. O que estará então a falhar e a impedir que sejam os jovens a fazer face à escassez de talento?

A resposta pode estar numa mudança da estratégia de atração de talento por parte das empresas, já que entender as novas gerações é o primeiro passo para ver com mais clareza por onde pode passar o seu futuro e o do mercado de trabalho. Além disso, é preciso que as lideranças vejam que os que estão agora a entrar no mercado de trabalho procuram e valorizam cada vez mais a progressão de carreira, os desafios constantes, bem como os momentos em equipa e o salário emocional.

Neste sentido, as empresas necessitam de renovar as suas culturas empresariais, digitalizando, e promovendo a criatividade e inovação entre os potenciais candidatos e colaboradores. Há, por isso, a urgência de apostar na criação de novos métodos de atração e seleção, como por exemplo, através da valorização de soft skills adquiridas pelos jovens no gaming, e de desenvolver novos percursos de carreira que respondam a estas motivações.

Este é, também, o momento de investir em programas de upskilling dos jovens, contribuindo assim para alterar o atual modelo, onde eles não encontram o seu lugar no mercado de trabalho. Estes programas devem permitir desenvolver nestas novas gerações as competências digitais e humanas que os empregadores necessitam, à medida que aceleram os seus planos de digitalização, bem como valorizar as competências transferíveis que estes já possuem. Sabemos que os jovens de hoje em dia são mais resistentes e com melhor conhecimento tecnológico do que as gerações anteriores. Possuem, igualmente, muitas das soft skills que as empresas atualmente procuram, tais como a adaptabilidade, a colaboração, o pensamento crítico, a criatividade ou a resolução de problemas. Esta é uma geração que prospera na resiliência, adaptando-se à mudança e chegando a soluções novas e criativas, trazendo consigo um enorme potencial para fortalecer a criação de valor das nossas empresas.

Finalmente, as organizações devem ainda ter em consideração o facto de as novas gerações estarem mais sensíveis e conscientes em relação às políticas de sustentabilidade e transparência, bem como de diversidade e inclusão, tanto das organizações como da sociedade. Os jovens querem ser agentes da mudança, defender o bem comum e dedicar-se às causas sociais, o que nos leva a concluir que as lideranças têm a responsabilidade de ser veículos de progresso social, ao colocarem em prática medidas e políticas que permitam a construção de locais de trabalho e comunidades mais diversas e equitativas.

A situação do desemprego jovem face à escassez de talento é um desafio de ambas as partes - tanto dos jovens como das empresas - e é da nossa responsabilidade tornar o futuro destes profissionais mais otimista. Os primeiros, precisam de oportunidades para demonstrarem o que valem, tendo em conta os desafios que a sociedade lhes impõe, mas também necessitam de sentir uma "ligação" com os valores e ambiente de trabalho que se vive nas organizações. As empresas precisam de apoiar a geração que enfrenta as condições de emprego mais difíceis em várias décadas, ajudando-as a desenvolver e adaptar as competências necessárias para prosperar num mundo de trabalho mais imprevisível do que nunca.

Este Dia Internacional da Juventude ganhará um sentido ainda maior se olharmos para esta geração como um dos maiores ativos da sociedade. Os jovens possuem a informação e o potencial para que os seus membros sejam uma nova geração de líderes, que seguramente contribuirá para a construção de um novo, e melhor, futuro do trabalho.

Chief Operations Officer da ManpowerGroup Portugal

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de