O parto difícil do OE e uma saúde contagiada

O Orçamento do Estado para 2021 marcou a semana. O PS continuou numa espécie de perseguição cerrada ao Bloco de Esquerda (e fez o mesmo com o PCP, até este se decidir pela abstenção, ontem à tarde) que, por sua vez, continuou a fazer-se difícil na negociação, fiel ao seu eleitorado. Sem contar com o PSD, que anunciou o voto contra, o primeiro-ministro ficou refém de uma esquerda que está mais caprichosa e aprendeu a fazer voz grossa.

Quem sairá fragilizado de tudo isto? O próprio PS, pelas grandes cedências a que tem estado obrigado. O eleitorado do partido rosa, com sede no Largo do Rato, começa a torcer o nariz ao facto de se sentir refém de outros partidos...

Enquanto as negociações para o OE ficam mais extremadas, o país mergulha numa enorme vaga de contágios por covid-19. Todos os dias surgem casos de novas infeções em lares, em escolas e em hospitais públicos. Também o número de profissionais de saúde infetados é cada vez mais preocupante. Se começam a escassear as camas nos hospitais, sobretudo nos cuidados intensivos, e ao mesmo tempo a faltar médicos e enfermeiros para tratar os doentes, ficaremos entregues à sorte?

O reforço de profissionais de saúde, anunciado pelo governo, ainda não se vê nos corredores das unidades hospitalares e ainda não foi sentido pelos utentes. Aliás, as filas à porta de muitos hospitais têm sido uma constante nas últimas semanas.

E onde estão os ventiladores made in Portugal? Os profissionais denunciam que ainda não chegaram e portanto não estão a ser usados. Envoltos em burocracias e certificações, os equipamentos para os cuidados de saúde fazem falta... desde março.

Enquanto não for restabelecida a confiança na saúde e na própria DGS, a economia continuará ligada a um ventilador... provavelmente chinês. E a ameaça de um novo confinamento ou do recolher obrigatório está a matar, por antecipação, a pouca esperança de sobrevivência que ainda tinham muitos agentes económicos.

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