O poder da inovação está na inclusão social e na diversidade

A sociedade precisa de mais negócios e empreendedores com soluções de impacto, e estes de um ecossistema diverso e inclusivo. De que forma a diversidade no ecossistema empreendedor pode responder às crises sociais?

O empreendedorismo, por apresentar menos barreiras à entrada do que outras atividades económicas ditas "tradicionais", é mais inclusivo do que outros setores do tecido empresarial, no entanto a marginalização nesta área ainda é comum e não podemos afirmar que existe igualdade de oportunidades tanto cultural, como de género, idade, situação económica e social. Constata-se que este é ainda um ecossistema empreendedor pouco diverso na sua génese, uma vez que os fundadores das startups são maioritariamente homens, jovens, brancos, de classe social média, e média alta.

É de conhecimento geral que a diversidade é a chave para a criatividade e a inovação, o que significa que se na construção de equipas juntarmos pessoas de géneros diferentes, idades diferentes, com diferentes backgrounds educacionais e culturais, maior será a probabilidade de criação de ideias e projetos mais inovadores, disruptivos e com maior potencial de crescimento, escalabilidade e desempenho.

Enquanto dinamizadora do ecossistema empreendedor social e ambiental, na Casa do Impacto queremos que o empreendedorismo não esteja ao alcance só de alguns, e sim que seja acessível a todos. Acreditamos no poder que a diversidade tem em criar mais criatividade e inovação, e também no poder do exemplo, sensibilização e educação. Tal e qual como no mês passado vimos ascender ao lugar de vice-presidente da maior potência mundial, Kamala Harris, a primeira mulher e a primeira não branca, que certamente de futuro irá fazer com que muitas outras a sigam, acreditamos na importância e urgência de termos um maior número de exemplos de diversidade de empreendedores que sirvam eles também de inspiração para outros empreendedores, para os decisores e para o fomento da justiça social.

A resposta fundamental aos problemas sociais deve passar pela promoção da igualdade, e mais concretamente por soluções que promovam a inclusão social. Aceitando a diversidade nas organizações, conseguimos também responder à totalidade dos desafios sociais e ambientais, partindo da visão de determinados grupos que apresentam soluções inovadoras para a realidade em que se inserem e conhecem. Ou seja, muitos projetos, como é aliás o caso de muitas e de grandes inovações, surgem de desafios com que os empreendedores se depararam algures na sua vida, ou por experiência própria ou de alguém que lhes é próximo. Afinal, enquanto empreendedores sociais, a inovação nasce da vontade de resolver problemas que nos são comuns e têm espaço para ser melhorados, por ainda não ter existido uma resposta eficaz. Partimos das lacunas da sociedade para a justiça e igualdade de oportunidades, e quanto maior for o conhecimento real da realidade e do problema, melhor estaremos capacitados para encontrar as soluções. Como dizia Aldous Huxley, "Experience is not what happens to a man; it is what a man does with what happens to him"

Enquanto player de um ecossistema de impacto, partimos sempre da premissa que enquanto indivíduos não temos todos o mesmo ponto de partida. No caso da Casa do Impacto, as soluções inovadoras promovidas passam por promover um acesso mais igualitário à educação e cidadania (como a Spot Games, a My Polis, a UBBU), à saúde (a Hug-a-Group, a ZenKlub), ao próprio financiamento para a sustentabilidade (a GoParity), à promoção da inclusão social de públicos mais vulneráveis que muitas vezes se vêem de alguma forma excluídos, sejam reclusos (APAC), idosos (55+), desempregados (Código_>), migrantes (Speak), entre muitos outros.

Tal como procuramos todos os dias fazer na Casa do Impacto, é urgente passarmos todos da teoria para a prática e sermos agentes da mudança. Não podemos "advogar" pela inclusão e diversidade nas soluções que criamos e não a incluirmos e a promovermos no nosso dia- a-dia. O empreendedorismo e mais ainda em concreto o empreendedorismo de impacto precisa de empreendedores homens e mulheres, jovens e menos jovens, de diferentes etnias, religiões, visões e experiências para chegar onde é mais preciso e não deixando ninguém para trás.

Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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