Opinião

O pós-covid e o mercado imobiliário no Grande Porto

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Não existem de momento certezas sobre duração e sobre o impacto real que a pandemia Covid -19 irá provocar na economia e na sociedade. O vírus comportou-se até à data como um ilustre desconhecido, tem andado a “fintar” a ciência, pelo que o futuro continua incerto.

O sector imobiliário atravessou nos anos transactos uma fase muito dinâmica, conseguiu com saber, imaginação e grande sentido de risco, aproveitar a atractividade que o Pais oferece e contribuiu para a resolução de inúmeras carências existentes.

Carências que abrangem áreas tão diversas como a do alojamento hoteleiro, a da reabilitação urbana, e a da construção de habitação param a população em geral.

No Grande Porto, a resposta dos operadores imobiliários foi notoriamente consistente e esteve em linha com a dinâmica geral do país.

A crise pandémica veio porém transformar de forma radical o panorama económico do mundo e de Portugal em particular. E já lá vão mais de três meses de incerteza.

Sendo o negócio imobiliário de ciclo longo, os promotores do Grande Porto tendencialmente tem estado a protelar novos investimentos e a procurar manter as frentes existentes, com um ritmo de desenvolvimento ajustado às circunstâncias

Com o fim do estado de emergência, face aos animadores resultados de controlo da pandemia verificados, constata-se na região que tudo está a voltar a acontecer aos poucos. Os negócios estão a surgir de novo, com algumas transacções e promessas de compra e venda concretizadas, muito em particular no sector habitacional, esse eterno e mais consistente pilar do imobiliário.

Contudo os operadores imobiliários terão de se adaptar às novas realidades do mercado e porque não, incorporar na construção de edifícios alguns dos meios tecnológicos que actualmente estão ao seu dispor no mercado. Para se conseguir uma recuperação do mercado imobiliário mais célere, há que ser inovador, saindo do paradigma de construir para a população em geral e estar atento a nichos que entretanto emergiram e que apontam para novas tendências na sociedade.

A título de exemplo, veja-se o que está a suceder com a população nascida entre 1980 e 2020, habitualmente designada por “Millennials”.

Esta geração representa um segmento com grande potencial de crescimento em termos de procura, pois é detentora da maior formação académica de sempre, tem grande potencial de rendimento e procura respostas adequadas à sua forma de pensar e viver, como por exemplo:

– Utilização de infra-estruturas digitais avançadas que permitam teletrabalho eficaz e integração inteligente dos sistemas de segurança, das energias e das comunicações;

– Percepção de possuírem casas sustentáveis, mais amigas do meio ambiente, que utilizam de forma mais intensiva energias verdes, que reaproveitam e reciclam a água, que conduzam a uma separação inteligente dos resíduos domésticos;

– Possibilidade de partilha de espaços, numa lógica colaborativa;

– Timings mais precisos param aquisição de casas próprias, dada a percepção de que as mudanças são muito rápidas;

Se os promotores imobiliários forem capazes de apontarem para soluções que correspondam às novas tendências, que na região do Grande Porto, quer no país, haverá condições para se ultrapassar a crise e para se retomar a actividade de forma consistente no curto, médio prazo.

* José Carvalho, CEO Grupo Omega / Jorge Felício, Endless Numbers, Grupo Omega

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