"O que nasce torto, tarde ou nunca se  endireita", já diz o povo

À prova de bala é o mínimo que se exige para os gestores nomeados para o estatal Banco de Fomento. Gerir dinheiros públicos, incluindo o envelope financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) exige uma folha de serviço imaculada. Vítor Fernandes não tem condições para assumir a presidência do Banco de Fomento e todo mercado percebeu isso antes mesmo de o governo fazer o anúncio nesse sentido. O ex-gestor do Novo Banco está sob suspeita no âmbito da operação Cartão Vermelho, que envolve Luís Filipe Vieira e o Benfica. Eleger um nome sob suspeita para liderar uma instituía pública seria dar um autêntico tiro no pé.

Respeitando a presunção de inocência, e sem juízos precipitados ou julgamentos na praça pública, o melhor que o governo e Vítor Fernandes têm a fazer é aguardar que a justiça apure os factos. Neste entretanto, o banco não pode ficar parado e, portanto, que se nomeie o quanto antes um ou uma presidente, interina ou de preferência definitiva, que coloque a instituição a fazer o caminho que é preciso fazer.

Diz o povo que "o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita". O ditado popular aplica-se ao Banco de Fomento. Sem modelo, sem missão, sem rostos fortes, ao longo de muitos meses a instituição ficou conhecida como nado morto. Agora, no verão de 2021, quando finalmente tem uma missão pública maior em mãos - os fundos da bazuca -, fica envolta numa nuvem de desconfiança.

"Os gestores que estarão no Banco de Fomento serão à prova de bala, independentes e imparciais", disse esta semana o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira. Defendeu ainda que a instituição deve ter "gestores adequados, competentes, com experiência, imparciais, independentes e absolutamente idóneos". Nem era preciso dizer. Afinal, é o mínimo que os portugueses exigem (ou deveriam exigir) para quem desempenha funções como esta e vai ter poder sobre milhões.

Jornalista

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