O que pode uma bomba de calor fazer pela sustentabilidade da sua casa?

Comecemos por alguns dados e facto importantes sobre o consumo de energia. Segundo dados recentes, atualmente perto de 40% da energia consumida na Europa é para aquecimento ou arrefecimento de espaços, o que faz com que esta seja uma das áreas de foco no que diz respeito à implementação de tecnologias que possam suportar a redução da pegada de CO2. No caso de Portugal, no que diz respeito à climatização dos espaços, sobretudo os habitacionais, a realidade não é nem a mais confortável para quem lá habita, nem a mais eficiente. A sustentar isto, está os resultados do relatório do CENSE (Center for Environmental and Sustainability Research), publicado no passado mês de janeiro, que indica que os países do Sul da Europa, como Portugal, Itália e Grécia, Malta e Chipre, apesar de terem invernos menos rigorosos quando comparados a países do Centro e Norte da Europa, "têm taxas de excesso de mortalidade no inverno consideravelmente superiores a países nórdicos como a Finlândia e a Suécia". Segundo este relatório, a combinação entre problemas de eficiência energética das habitações e dos equipamentos usados, baixos rendimentos e preços de energia elevados, faz com que para quase dois milhões de portugueses seja difícil aquecer a casa no inverno ou arrefecê-la no verão.

Ora, perante este cenário, tendo em conta o peso que a utilização de energia e a climatização das habitações individuais e coletivas têm na nossa pegada ambiental, e considerando a respetiva necessidade de aquecimento, arrefecimento e água quente, urge apostar em novas soluções que ajudem de alguma forma a promover a sustentabilidade a partir das nossas casas.

Neste momento, existem diversas tecnologias que podem ajudar nesta redução da pegada ecológica. Uma delas é a bomba de calor, já estabelecida principalmente nos países Nórdicos como a tecnologia mais utilizada para aquecimento e águas quentes. Já na Europa do Sul, o recurso à bomba de calor tem uma maior incidência através do uso de ar condicionados para aquecimento e arrefecimento de espaços. A sua utilização por toda a Europa nas diversas aplicações tem vindo a demonstrar que esta tecnologia está validada e preparada para ser tomada, se assim for, como uma das soluções do presente e do futuro, com vista à redução da nossa pegada de CO2.

A bomba de calor assenta a sua tecnologia no ciclo de refrigeração, semelhante ao frigorifico que temos em casa, mas numa maior escala para colmatar com a necessidade de energia de uma casa. Este ciclo tem como base a transferência de energia de um ambiente frio para um ambiente quente, isto para aquecimento de espaço e água quente, e vice-versa quando o que se aquilo que é pretendido passa por arrefecer o espaço, retirando energia de um ambiente quente para um ambiente frio. Este trabalho de transferência de energia é em parte, suportado por um compressor elétrico, tornando a bomba de calor num equipamento de fonte elétrica.

E como pode a bomba de calor tornar o uso de energia nas nossas casas mais sustentáveis? A razão pela qual a bomba de calor está a tomar a liderança na transformação energética na Europa, sobretudo em países como França, Holanda, Alemanha, está relacionada com três fatores principais.

O primeiro tem a ver com a tendência da eletrificação de infraestruturas, seguindo outras indústrias como a automóvel, em que as redes domésticas estão a aumentar a sua capacidade para acomodar mais produtos elétricos.

O segundo diz respeito a performance da bomba de calor, que devido ao ciclo de refrigeração consegue produzir mais energia térmica do que a energia elétrica que consome. Isto é caraterizado pelo Coeficiente de Performance (COP) que carateriza o rácio entre a energia produzida e a energia consumida. Uma bomba de calor pode variar o seu COP entre 2 e 6, dependendo das condições ambientais. Isto significa que uma bomba de calor com COP igual a 4, está a produzir 4 vezes mais energia do que aquela que consome. O que por si só demonstra o lado eficiente desta tecnologia.

Por último, o terceiro fator é aquele pelo qual a bomba de calor se torna numa tecnologia sustentável, uma vez que dado o facto de ser um equipamento de fonte elétrica, se este se juntar a uma fonte renovável como a eólica, hídrica ou solar, isto faz com que o equipamento se torne numa fonte renovável.

Se olharmos numa junção entre a sua performance, em que oferece mais energia do que consome, em conjunto com uma fonte renovável, a bomba de calor proporciona todos os argumentos de ser uma solução mais sustentável, garantindo a vantagem adicional de uma maior eficiência energética quando comparada com os tradicionais aparelhos elétricos de aquecimento.

Aquecer águas sanitárias e/ou climatizar o ambiente, a tecnologia da bomba de calor permite ambas as tarefas com garantia de eficiência energética e poupança de recursos. Num ano em que Portugal começa a discutir com maior prevalência a nova Lei de Bases do Clima, com vista a uma sustentabilidade climática de longo prazo na qual todos os cidadãos, Estado, entidades e organizações têm a sua quota parte de responsabilidade de envolvimento e compromisso para enquanto agentes da ação climática, a versatilidade e a eficiência energética desta tecnologia jogam a favor de uma sociedade que caminha para a eletrificação da economia, e para uma produção de energia com redução do seu impacto ambiental.

Fernando Dias, gestor de I&D Bosch Termotecnologia Aveiro

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