Opinião

O que precisa de saber para reestruturar a sua empresa

Sara do Ó, CEO do grupo Your
Sara do Ó, CEO do grupo Your

É precisar compreender os sinais que podem levar um negócio ao fracasso

Criar um negócio é um sonho que cada vez mais portugueses tornam real. Mas perante o pesadelo das estatísticas, é precisar compreender os sinais que podem levar um negócio ao fracasso. Quando as empresas atravessam uma fase de estagnação ou declínio é importante repensar o negócio de forma a torná-lo viável. Os gestores devem estar constantemente atentos, pois um processo de restruturação e reorganização empresarial tem mais hipóteses de ser bem-sucedido se for feito atempadamente.

Em geral, as restruturações ocorrem quando as empresas não são capazes de atingir o valor esperado pelo mercado, acionistas, clientes, fornecedores, pelos seus responsáveis e até pelos seus colaboradores. A criação de valor e de riqueza é o objetivo fundamental de qualquer organização e, apesar de ainda existir um estigma em Portugal em relação ao insucesso, este não caracteriza um mau gestor. Errar é sempre uma forma de aprender e evitar repetir o erro no futuro.

1. Como tal, o primeiro passo deverá ser sempre fazer um exercício de reflexão e um plano de negócios completo, mesmo que já tenha sido feito anteriormente. As decisões devem ser tomadas com base em informação fidedigna e trabalhada de forma a dar suporte à viabilidade do negócio. O gestor deve também reconhecer as áreas de suporte que não domina e rodear-se de especialistas que o aconselhem de modo a poder avançar da melhor forma.

2. Nem todos os erros são irreparáveis ou podem pôr em causa a viabilidade dos negócios, porém os gestores devem ficar em alerta perante algumas situações mais representativas de insucesso, como a diminuição das vendas ou das margens de lucro. Este é talvez o sinal mais evidente de uma empresa que enfrenta dificuldades, onde a reestruturação assume um caráter de maior urgência. Neste cenário, a empresa deverá proceder a um diagnóstico exaustivo focado nas vertentes de política comercial e pricing, plano e estratégia de marketing e análise dos seus custos operacionais e de produção.

3. Os problemas de liquidez também são um motivo para ficar alerta. Mesmo que não sejam identificados problemas nas vendas, com os clientes e até nos seus resultados operacionais, a desorganização financeira é evidente e eventuais falhas de controlo interno e de gestão deverão ser corrigidas. Além disso, quando os fornecedores passam impor condições não habituais para trabalhar com a empresa, ou quando a relação com a banca é difícil com consequências na aprovação de financiamentos, a empresa pode estar perante problemas de credibilidade. Importa perceber quais as causas das mudanças de comportamento dos parceiros e da sua perceção sobre a empresa de forma a revertê-las atempadamente.

4. Muitas vezes os sinais que algo não está bem na empresa não têm relação direta com fatores exteriores, mas sim com fatores internos como os próprios colaboradores. Uma equipa de profissionais insatisfeitos e desmotivados pode originar a diminuição da qualidade dos serviços prestados pela empresa e do seu valor para o mercado. Neste cenário, é fundamental proceder a uma análise profunda das políticas de comunicação e processos de gestão de recursos humanos, incluindo ações motivacionais, programas de formação e reorganização de funções das pessoas chave.

5. Por fim, para restruturar uma empresa, defendo convictamente que a construção de um bom Plano de Negócios é ainda uma garantia para obter as coordenadas certas para voltar ao rumo do sucesso. Nem todas as empresas, sobretudo as de pequena e média dimensão, dispõem internamente das competências necessárias para um diagnóstico pormenorizado e atempado da sua situação geral, inclusive económica e financeira. Procurar estas competências em serviços de oursourcing é sempre uma solução a considerar.

Sara do Ó é CEO do Grupo Your

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