O que se exige a quem nos governa

Novo ano, novo confinamento e todas as perguntas por responder. Não vou voltar a tudo o que devia ter sido aprendido e feito nos últimos meses, mas num momento em que tudo parece fugir-nos do controlo - os recordes diários da covid são o melhor exemplo - é importante olhar para o que ainda aí pode vir e que vamos a tempo de evitar.

Na saúde já só nos resta a reação e a adaptação melhor possível - o caminho passa por começarmos a considerar o empenho de todos no bem comum e deixarmos de alimentar debates e cisões entre público, privado e setor social. Mas também pela urgência da imunização, com um plano de vacinação muito mais ambicioso. Será isso que vai determinar quantos sobrevivem à pandemia - e não são apenas doentes de covid - e em que condições.

Quanto ao que é preciso fazer pela economia, ainda vamos a tempo de evitar o pior. As decisões que hoje forem tomadas e os planos de ação traçados e concretizados vão determinar por quanto tempo perdurará a crise e que fatura pagará Portugal. As vias prioritárias têm de ser abertas já e o fluxo de financiamento real tem de começar a correr sem mais atrasos. Os apoios anunciados não podem demorar a chegar, têm de ser efetivados e produzir efeitos imediatamente. A fiscalização, que é essencial, tem de ser feita após a atribuição das verbas e não atrasando-a. Puna-se as violações exemplarmente, mas não se faça perigar quem tem salvação numa intervenção rápida, apenas por medo de dar apoios a quem não os merece.

Qualquer atraso em fazer o dinheiro chegar às empresas será pago com falências, perda de postos de trabalho, pobreza e atraso irrecuperável. São já 200 mil os empregos perdidos e nos próximos meses podem mais que duplicar, podem chegar a meio milhão. Meio milhão de pessoas e respetivas famílias sem meios e sem futuro, porque o que se perder agora vai demorar demais a recuperar. Se falharmos agora, estaremos a comprometer o país e a vida de todos nós, das gerações que se seguem.

É isso que se exige a quem nos governa. Estes não são tempos de hesitação ou medo. São tempos de ação urgente. E ao Estado cabe assegurar que os caminhos existem e são libertos de barreiras e empecilhos, como a cada um de nós se exige um compromisso com soluções que defendam o valor que ainda existe e que tem de ser preservado.

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