O seu sucesso faz-nos falta

A Uniplaces, uma plataforma online de alojamento para estudantes universitários, está cada vez mais perto de valer cem milhões de euros

"Mas eu só tenho 25 anos e a Uniplaces...” Foi assim que Miguel Santo Amaro respondeu quando, há pouco menos de um ano, lhe lancei o repto de ser o entrevistado da semana do Dinheiro Vivo.

Uma modéstia mesmo falsa, porque ao fim de mais de uma hora de conversa o título estava feito: “Eu acredito que a Uniplaces pode valer cem milhões no final de 2015”, disse Santo Amaro.

Descarada convicção. Mas um mês antes, em novembro de 2014, ele já tinha dito mais: “Quero que daqui a dois anos as pessoas olhem para mim e, se eu falhar, não vejam isso como um falhanço mas como um puto que tentou ter a maior tecnológica do mundo a partir de Portugal.”

A Uniplaces, uma plataforma online de alojamento para estudantes universitários, está longe de ser a maior tecnológica do mundo, muito provavelmente nunca o será, mas está cada vez mais perto de valer cem milhões de euros.

Esta terça-feira, em Dublin, à margem da Web Summit, o maior evento de empreendedorismo, tecnologia e inovação da Europa, que a partir do próximo ano terá palco em Lisboa, a Uniplaces anunciou ter conseguido mais 22 milhões de euros de financiamento.

Desta vez, investiram na startup os portugueses Henrique de Castro (ex-COO da Yahoo) e António Murta, fundador do fundo Pathena, e ainda nomes do empreendedorismo europeu como os fundadores do King.com e os fundadores da Trivago, entre outros.

Não é uma moda ou um endeusamento de putos cheios de ideias. É o orgulho de quem assiste ao nascimento e crescimento de projetos que se transformam em negócios.

Há uma diferença entre a Uniplaces e outras startups nacionais, como a Codacy, que venceu o prémio BETA na competição Coca-Cola Pitch de 2014 - o prémio mais cobiçado no Web Summit - a Feedzai ou a Talkdesk, só para dar alguns exemplos, e as centenas de empreendedores que se lançam, todos os anos, na aventura de empreender.

Elas fazem dinheiro e atraem, apesar do risco, capital para investir e continuar a crescer. Estas empresas, que começam, muitas vezes, entre amigos e depois passam a viver no mundo dos milhões, são uma face bem visível de um país que não se contenta com um mercado limitado de dez milhões.

E de que os jovens empreendedores terão um papel importante no desenvolvimento económico do país. Estas startups mostram-nos que isto do empreendedorismo em Portugal já não é uma brincadeira. A fasquia também está, por isso, mais alta.

Como disse Santo Amaro, se não der certo, que se lembrem dele não como um falhanço mas como alguém que tentou criar uma grande empresa global a partir de Portugal. Está a dar certo, é bom que dê certo, porque faz-nos bem, faz-nos falta, o sucesso destes jovens.

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