Opinião

O surf e o vinho

Surf Out Portugal_Salvador Stilwell_2019

Como têm crescido as marcas do surf e como o surf tem feito crescer as marcas.

 

Sendo o vinho bastante expressivo na minha vida, tenho por hábito procurar inspiração neste setor para o trabalho que desenvolvo no surf. Contudo, a relação já foi inversa. Mas não parecendo óbvia esta ligação entre surf e vinho, há uma interessante analogia a fazer quando analisados os respetivos setores.

Já não é novidade que o surf em Portugal atravessa uma fase notável. O fenómeno resulta da intersecção de uma série de variáveis favoráveis que permitiram o alcance de uma forte expressão e mediatismo do país como destino global de surf. Se é certo que somos abençoados por uma geografia e uma orla costeira com características únicas, também é um facto que um recurso natural não é aproveitado sem a excelente intervenção dos vários stakeholders que trabalham neste território.

A consolidação e a organização das mais importantes provas do calendário internacional de surf, a promoção externa das diferentes praias e ondas do país, o crescente nível competitivo e a preponderância internacional dos nossos surfistas elevaram este desporto a um estatuto e uma popularidade nunca vistos. Outrora considerado um movimento de contracultura, o surf está agora definitivamente democratizado e instalado em Portugal.

Mas, enquanto potência do surf global, podemos ir mais longe.

Um desporto em crescimento representa um mercado com maior procura. A nossa resposta veio, na sua grande maioria, na forma de escolas e surf camps de norte a sul. Desta proliferação nasceram vários postos de trabalho nas áreas do ensino e turismo. Contudo, há mais por explorar. Há mais por fazer.

É fundamental promovermos um futuro mais sustentável para o setor, capacitando o coletivo empresarial do surf em Portugal com as ferramentas necessárias para reforçar os seus níveis de competitividade e atratividade externa. Se somos peritos em promover as montanhas de água da Nazaré ou a perfeição das ondas de Peniche, seguramente, teremos as condições para potenciar as nossas marcas e fabricantes além-fronteiras.

Agora o vinho. Até há pouco mais de duas décadas, mal se sabia, fora de portas, da ancestral tradição vitivinícola e excelência dos nossos vinhos. Mas, com uma estratégia bem definida e planeada e, mais importante, com a união dos diversos agentes económicos, soube-se promover o nome de Portugal como país produtor de referência. Hoje em dia, os nossos vinhos são vendidos nos quatro cantos do mundo, estão entre os mais premiados a nível internacional e são amplamente aclamados pela imprensa especializada.

No caso do surf, já temos a ancestral tradição (ondas e praias), bem como uma excelente produção vínica (competições e atletas de sucesso), faltando, apenas, vender os nossos vinhos (marcas e fabricantes) para os quatro cantos do mundo.

Os principais ingredientes estão reunidos. O know-how e experiência de quem forma este tecido empresarial é evidente, a qualidade da produção nacional é uma realidade e a nossa capacidade de inovação está assegurada. Faltam apenas mais oportunidades de colaboração e concertação entre agentes, bem como tempo para refinar uma indústria ainda em crescimento.

O surf pode beber inspiração do vinho. E, felizmente, estamos em época de vindimas.

Salvador Stilwell é cofundador da Surf Out Portugal

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