Opinião

O verão não é só praia

Rui Pedro

Como fazer de um festival uma marca.

Além de título deste artigo, aquele é o slogan de um pequeno festival de verão em Foz Côa, no interior do país, o Côa Summer Fest. E é o objetivo primordial de muitos dos festivais que se realizam durante o período mais quente do ano e que, seja durante um dia ou uma semana, pretendem que o seu público não pense apenas na praia para os seus momentos livres, mas que possa considerar viver um festival.

Existem, em Portugal, mais de 300 festivais – no ano passado foram 311, segundo a APORFEST-Associação Portuguesa de Festivais de Música – que movem mais de dois milhões e meio de espectadores. Este indicador traduz-nos o quão difícil é marcar um panorama nacional tão cheio e diverso nesta área e o quanto, ano após ano, é necessário as organizações elevarem a fasquia, batendo-se pela atenção do seu target.

O desafio de um festival é igual ao de qualquer outro produto: criar valor e ser relevante para o seu público. É um percurso sinuoso a percorrer por qualquer marca que ambicione ser isso mesmo – uma marca. O mercado é cada vez mais exigente, as marcas não marcam os consumidores de forma fácil e são cada vez mais voláteis e frágeis. Lia há uns tempos que 74% das marcas poderiam desaparecer e não se sentiria falta delas (fonte: Meaningful Brands Portugal2015, Havas Media Group) e, com este dado, podemos perceber a tarefa árdua que é construir uma marca reconhecida no mercado atual.

Para um festival, o desafio de construção de marca é semelhante com a condicionante de que ocorre num curtíssimo espaço de tempo. Precisa, pois, de saber comunicar com os seus stakeholders para se manter interessante ao longo do ano e culminar esse trabalho contínuo no momento de contacto com o seu público. Tudo isto se agrava sendo no interior do país, onde atrair investimentos privados é uma tarefa complicada para qualquer promotor de um festival de menor dimensão.

Sabemos que, as grandes marcas se querem em grandes eventos, onde o custo por contacto é bem menor, mas também acredito poder afirmar-se que são locais onde a qualidade do contacto é pior. Acredito piamente que a associação de uma marca a um evento mais modesto traz uma dimensão ainda mais relacional à própria marca. Os festivaleiros reconhecem esta aposta, pois estão cada vez mais sensíveis ao comportamento das marcas. Portanto, é vital para o nosso evento e outros semelhantes que existam marcas a apoiar, sendo que as marcas também podem usar este espaço como um ponto de contacto mais vantajoso.

É difícil tornar um festival numa marca que realmente marque, mas é um trabalho que dá prazer a todos os envolvidos. No final do dia, parceiros e patrocinadores sentirão que ajudaram a construir e a fazer crescer algo único, pois a personalidade de uma marca é como a de um ser humano – muito própria e sem igual.

Rui Pedro Pimenta é membro da organização do Côa Summer Fest

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