Opinião: Rosália Amorim

Olhar o Pacífico

Andreas von Wedemeyer, presidente da La Positiva, com Jorge Magalhães Correia, presidente da Fidelidade. (D.R.)
Andreas von Wedemeyer, presidente da La Positiva, com Jorge Magalhães Correia, presidente da Fidelidade. (D.R.)

"Portugal tem preferido ao longo da sua história os países de língua oficial portuguesa para encontrar parceiros para fazer negócios."

Não olharmos sempre para os mesmos mercados nem pelo mesmo prisma é uma regra de ouro nas estratégias de internacionalização e diversificação das empresas. Tradicionalmente, Portugal tem preferido ao longo da sua história os países de língua oficial portuguesa para encontrar parceiros para fazer negócios. De Angola a Moçambique, de Macau ao Brasil, muitos têm sido os empresários que têm tornado realidade a ambição de internacionalizar e exportar.

Também a Fidelidade, seguradora portuguesa, historicamente fez a sua expansão para mercados que culturalmente nos são próximos, mas agora partiu à conquista de um território historicamente dominado pelos nossos vizinhos espanhóis. Refiro-me ao Peru, país banhado pelo Pacífico e a partir do qual escrevo este editorial.

Aqui não se fala português, não se bebe tinto alentejano nem se consome Azeite Gallo, como nos países da CPLP. Em Lima, saboreia-se e respira-se o novo mundo – à mesa e nos negócios. Entre 2002 e 2013, o Peru registou um incrível crescimento anual médio de 6,1%. O indicador de pobreza (percentagem da população a viver com menos de 5,5 dólares/dia) caiu de 52,2% em 2005 para 26,1% em 2013, equivalente a 6,4 milhões de pessoas.

O país cresceu, desenvolveu algumas infraestruturas e dinamizou a exploração de minérios. No ano que agora terminou, o crescimento do produto interno bruto foi de 3%, bem acima do registado em Portugal, e para 2019 as previsões vão um pouco além dos 4%, com uma inflação a rondar os 2,5% e a dívida pública a não ir além de um quarto da riqueza produzida a nível nacional.

Os preços das matérias-primas têm atraído investidores estrangeiros, mas não só. O plano de investimentos públicos é ambicioso e está a puxar players de todo o mundo. Em terras incas são muitas oportunidades, da indústria à energia, passando pela banca, pelos seguros e pela construção – que o digam a Fidelidade, a Mota-Engil e a EDP. Vale a pena olhar para outras geografias sem complexos e mostrar o que Portugal tem de melhor: talento e conhecimento. É por aí que o nosso pequeno grande país pode continuar a diferenciar-se.

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