Opinião

Olhar os problemas de frente

Lisboa, 07/11/2019 - Decorre no Altice Arena em Lisboa de 4 a 7 de Novembro o Web Summit 2019. Margrethe Vestager

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Lisboa, 07/11/2019 - Decorre no Altice Arena em Lisboa de 4 a 7 de Novembro o Web Summit 2019. Margrethe Vestager (Filipe Amorim / Global Imagens)

Produzir boa e credível informação dá muito trabalho e custa muito dinheiro. Por isso mesmo, é preciso trazer este assunto para o palco central das discussões.

Na cimeira tecnológica Web Summit, o papel das big tech subiu ao palco central. O assunto tem sido amplamente discutido na comunicação social, sobretudo nas redações, quer pelos abusos relativos aos direitos de autor dos artigos editoriais que as grandes tecnológicas redistribuem, e na prática revendem sem dar troco a ninguém, quer por porem em causa o modelo de negócio dos meios de comunicação social tradicionais e sérios.

Produzir boa e credível informação dá muito trabalho e custa muito dinheiro. Por isso mesmo, é preciso trazer este assunto para o palco central das discussões, sejam elas tecnológicas, económicas, deontológicas ou políticas. Enfiar a cabeça na areia e fingir que não se vê uma realidade que entra pelos nossos ecrãs todos os dias é uma tremenda irresponsabilidade.

Como afirmou Margrethe Vestager, comissária Europeia da Concorrência, na Web Summit, a “tecnologia pode ser nova, mas os nossos valores continuarão a ser os mesmos”, tendo em conta os Direitos Humanos. E nesses, acrescento, devem estar inscritos a democracia e a liberdade, sempre com enorme responsabilidade.

Relativamente às práticas das tecnológicas, cuja atuação tem vindo a manter debaixo de olho, Vestager reconhece algumas mudanças. “Em primeiro lugar, estão diferentes na sua abordagem, na forma como estão a unir-se. Mas se vejo alguma mudança, é basicamente para terem ambições ainda maiores.”

A divisão das grandes tecnológicas, que muitos acusam de terem crescido demasiado e terem hoje um poder extremo, também foi abordada durante a intervenção de Vestager. “Do ponto de vista da concorrência, era preciso acontecer alguma coisa que fizesse com que a divisão das big tech fosse o último recurso. Até agora, não temos um problema assim tão grande que faça com que isso seja a única solução”, aponta. E explicou que não quer correr o risco de a divisão ganhar contornos de contos da mitologia grega. “Há o risco de, sempre que cortamos uma cabeça e acharmos que vamos resolver um problema, poderem aparecer outros dois ou três.”

Temida por agitar as águas e não ter medo de aplicar avultadas multas a grandes tecnológicas, Vestager promete continuar a ser uma mulher com M maiúsculo!

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