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Opinião. Crescimento, cautelas e caldos de galinha

Fotografia: Mark Blinch/Reuters
Fotografia: Mark Blinch/Reuters

As boas notícias são boas notícias e não devemos retirar-lhe uma linha. Mas nem sempre definem o futuro.

Já diz o ditado popular que “cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Em matéria de crescimento é preciso olhar para os números com cautelas e, acima de tudo, distanciamento político. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que Portugal cresceu 2,8% no primeiro trimestre deste ano, por comparação com o período homólogo, o que representa uma aceleração face a 2016 e que, diga-se, é digna de registo. Contudo, o que está em causa é apenas e só um único trimestre.

Segundo o que apurou o INE, a aceleração da economia nacional foi explicada pelo maior contributo da procura externa líquida, que passou de negativo para positivo, refletindo a aceleração em volume mais acentuada das exportações de bens e serviços do que a das importações.
Bons argumentos, portanto. Da equação das exportações faz parte o turismo, um setor importantíssimo para o crescimento da economia portuguesa, que tem ajudado o país a sair da crise, mas que, sabemos de antemão, é muito sensível a fatores externos e, portanto, dizem os economistas, não assegura um crescimento sustentável.

As boas notícias são boas notícias e não devemos retirar-lhe uma linha. Mas nem sempre definem o futuro. É preciso trabalhar mais e melhor na indústria, na agricultura e nos serviços para crescer, para exportar e para diversificar.

É fácil acusar os países africanos de terem ficado excessivamente dependentes do petróleo e de não terem diversificado as suas economias – o que é a mais pura verdade, quando o petróleo estava em alta, acima dos cem dólares. Pois, que não fiquemos nós agora dependentes só do turismo e saibamos continuar a apostar e a incentivar a diversificação através dos setores que melhor podem contribuir para um país com futuro. Neste campo, o investimento na inovação e na indústria 4.0 são determinantes, não só para crescer mas para tornar o país mais competitivo.

Voltando ao PIB, e analisando as sérias longas do produto interno bruto (PIB), é preciso recuar a 2007 para encontrar um crescimento equivalente ao de 2,8%. E é necessário recuar ainda mais, até ao ano 2000, para encontrar um número acima deste. Hoje é preciso olhar para os 2,8% como uma rampa de lançamento e não um ponto de chegada, a partir do qual vamos trabalhar mais e melhor – particulares, empresários e políticos/governantes -, para que não seja preciso esperar mais uma década para voltar a tocar os 2,8%. Os fundos do Portugal 2020 e o Plano Juncker podem dar uma ajudinha. Mas, atenção, não farão tudo sozinhos.

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