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Opinião. Desastres

Fotografia: DR
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O que é que uma marca pode fazer quando os terroristas do estado islâmico decidem equipar o seu exército com carros da marca?

Estamos a atravessar a temporada dos furacões. Começam nas Caraíbas e levam tudo à frente. Há uma semana, o furacão Harvey deixou um rasto de destruição no Texas, cinco pessoas morreram e milhares ficaram sem casa. Esta semana é a vez do furacão Irma, que está a ponto de entrar pela Florida dentro e fazer o mesmo. Cientistas atribuem o aumento de furacões ao aquecimento global. É a força da natureza e da estupidez do ser humano. As catástrofes naturais não avisam quando vão acontecer, não há maneira de controlar o seu impacto.

O que é que uma marca pode fazer quando os terroristas do estado islâmico decidem equipar o seu exército com carros da marca? De cada vez que aparece uma notícia sobre a ISIS, aparece uma imagem de um Toyota Land Cruiser 4×4 ou de uma pick-up Toyota Hilux carregada de terroristas. Porque será que os terroristas gostam tanto da Toyota e não de outras marcas? A linha Toyota Toyota Land Cruiser 4×4 e as pick-up Hilux são extremamente populares nos mercados emergentes, muito se devendo a serem robustos e duradouros. Mas sua versatilidade também os torna uma excelente opção para uso militar. Por melhor que seja, quem é que vai querer comprar um carro usado e aprovado por terroristas? Ora isto é uma catástrofe para a marca que segundo a ABC News, viu as vendas desceram a nível mundial, no que diz respeito a estes dois veículos. Todo o esforço e dinheiro investido em construir uma imagem à volta destes carros, vai por água abaixo, tal como as centenas de milhares de casas no Texas que foram arrastadas pelo Harvey.

Aconteceu nos anos 80, por isso não possuo informação sobre qual foi o impacto nas vendas dos clássicos Reebok Ace, os ténis favoritos de Pablo Escobar. De novo, sempre que aparecia uma foto do procurado barão da droga, lá estavam os seus lindos e reluzentes Reebok Ace. Pode até ser que tenha tido um impacto favorável no meio de aspirantes a dealers, sabe-se lá.

A Nike tem tido sucessivos azares com os desportistas que patrocina. Primeiro foi Lance Armstrong, que ao fim de vencer sete Tour de France, viu ser desmascarado o seu esquema de dopping e declarado uma farsa. Como se não bastasse, logo a seguir a marca patrocinou Oscar Pistorious, famoso atleta paraolímpico que veio a ser condenado em tribunal por assassinar a sua esposa. Na altura das paraolimpíadas, havia um poster da Nike com a imagem de Oscar Pistorious e as suas próteses metálicas com o seguinte headline “I am the bullet in the chamber. Just do it”.

Há catástrofes como estas que as marcas não podem controlar, mas há tantas outras que podem ser evitadas, como por exemplo a dupla Pepsi + Kendal Jenner tentando salvar o mundo, ou o Évora Shopping a oferecer 500 euros por um logótipo.

Y&R North America Executive Creative Director

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