Opinião

Opinião. Google & Facebook: Empresas tecnológicas ou publishers?

Fotografia: REUTERS/François Lenoir
Fotografia: REUTERS/François Lenoir

A Web Summit trouxe para primeiro plano, para além das questões relacionadas com a Inteligência Artificial, o tema das notícias falsas, da utilização política das redes sociais e da vontade da Comissão Europeia em mostrar que o digital não se pode tornar numa selva – mensagem bem clara naquela que foi porventura a mais importante intervenção do evento, a cargo da comissária europeia da Concorrência, a dinamarquesa Margrethe Vestager.

Com a assertividade que a caracteriza, e com provas dadas na implementação de mecanismos de controlo da atuação dos gigantes digitais, sublinhou que “nenhuma empresa tem o direito de anular a concorrência”.

Ora nos media é isto mesmo que está a acontecer com os gigantes digitais. Vale a pena por isso voltar ao tema das redes sociais e das grandes tecnológicas que estão a dominar a difusão de conteúdos informativos e outros. Creio que esse é que deve ser o foco das preocupações de quem se questiona sobre os desafios atuais da comunicação . Para mim há uma pergunta fundamental: as grandes empresas do digital, nomeadamente Google e Facebook (que englobam uma série de marcas associadas como o Instagram ou o YouTube) são empresas tecnológicas ou empresas de media?

Esta não é uma questão bizantina – em primeiro lugar porque vivem de receitas enquanto suportes publicitários que são; e em segundo lugar porque, se forem empresas de media, devem ser encaradas como publishers e, em coerência com o resto do mercado, devem estar sujeitas às normas de regulação que regem imprensa, rádio e televisão. Na realidade Google e Facebook posicionaram-se como empresas que proporcionam uma fonte alternativa de notícias e conteúdos, e para muita gente tornaram-me mesmo na fonte principal de informação. Acontece que, como agora já sobejamente se sabe, difundem informações falsas, são vulneráveis (e coniventes) com manipulações que interferem no processo político e não estão sujeitas a nenhuma regulação.

Estou convicto que esta questão do enquadramento dos gigantes digitais – como empresas tecnológicas ou como publishers – é decisiva para que o futuro de todos nós seja mais transparente, para que haja maior equilíbrio na informação e, também, na concorrência com os publishers tradicionais que têm regras, que as cumprem e que estão em manifesta situação de desigualdade no mundo digital. “Temos de nos certificar de que é a democracia e não a lei da selva que funciona” – disse Margrethe Vestager na Web Summit. E concluiu: “Não podemos deixar a sociedade ser guiada pelo Facebook, pelo Snapchat ou por outra rede social. A sociedade foca-se nas pessoas e não na tecnologia”. É isto.

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