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Opinião. Língua Pátria

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E de facto nada nos une mais que a língua de Camões, esse herói que morreu há 439 anos

Rio continua lindo, o Brasil continua grande”, foi com estas palavras emocionantes que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa iniciou o seu discurso de celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. No palácio de São Clemente, no Rio de Janeiro, fez honras à nossa Pátria, lembrando que Pátria não é uma geografia de símbolos e tradições, mas pessoas reais, de portugueses, que sempre foram do mundo. Muito obrigado Sr. Presidente por colocar tanta energia nesta palavra Pátria, que ficou refém de um passado do Estado Novo, e que é tão importante para o sentimento futuro do nosso querido Portugal genial.

Seguiram-se as palavras do primeiro-ministro. António Costa lembrou a dimensão concreta do nosso universalismo. “Onde está cada português, está Portugal”. No que respeita à genética usou o seu próprio exemplo: a Índia de seu pai e o exemplo do Presidente Marcelo: o Brasil do seu filho e dos seus netos. No que se refere à língua, esta nossa geografia que já foi global e que hoje é de muitas Pátrias, afirmou que se trata de um ativo prioritário para o governo. Mas quem fez o discurso de abertura, deste dia tão especial, foi o nosso mais genial cientista.

O professor Sobrinho Simões, partilhou a sua convicção científica de que Portugal é geneticamente heterogéneo e que esta razão sustenta a plasticidade da nossa sociedade e da nossa língua, que sendo tão culturalmente diversa nos pode dar um amplo rendimento no futuro. E de facto nada nos une mais que a língua de Camões, esse herói que morreu há 439 anos, que sobreviveu a todos os regimes e que se mantêm como uma força cívica ativa. Foi a ele a quem o Presidente Marcelo se dirigiu imediatamente após ter tomado posse; depositando flores no seu túmulo como forma de pedir o seu apoio, para um mandato que se pretende seja unificador, lembrou o professor José Augusto Bernardes no Real Gabinete Português de Leitura, que por sinal, fica na rua Luís de Camões, no centro do Rio de Janeiro.

Camões escreveu o nosso futuro. Os Lusíadas começam por construir um monumento afirmador da nossa língua, marcam as rotas da alma do nosso caminho, e terminam com um apelo a uma nova partida, a uma nova esperança; o destino de um herói imortal: o peito lusitano. Os Lusíadas somos nós, mas por si só são um exercício de multiplicidade, épica, lírica e dramática; são um programa de governo em verso, universal, multinacional, onde a poesia precede a economia e a Pátria se quer reafirmada, num novo império.

Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial

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