Opinião

Opinião. Lisboa nova dos mercadores

Fotografia: direitos reservados
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Decidi pesquisar sobre a economia dos descobrimentos. Sinto há já algum tempo que nas ruas de Lisboa se vive uma energia semelhante há de 500 anos

Nasci em Lisboa. A família do meu pai é do Norte, a da minha mãe do Sul. Sou fruto de uma bipolaridade continental, acrescida de uma alma atlântica que se estende 1430 km a ocidente, arquipélago dos Açores e 970 km a sudoeste, arquipélago da Madeira. Sou, como a maioria dos portugueses, um blend de culturas, 3% de terra e 97% de mar (com 92 000 km de terra e 4 000 000 km de mar, somos o terceiro maior país da Europa). Para além do mais, sou Aquário, amante de Camões, Vieira, Pessoa, Agostinho e sonho com impérios da imaginação e outras virtudes de um Portugal que amo.

Foi com este sangue liquidificado de aventura que decidi começar a pesquisar sobre a economia dos descobrimentos. Fi-lo porque sinto há já algum tempo, sem conseguir explicar, que nas ruas de Lisboa se vive uma energia semelhante àquela que terá existido há 500 anos. Tenho o meu escritório na Rua D. Luís I. Há cinco anos era uma rua perdida entre armazéns abandonados; hoje é uma avenida fervilhante, com arquitetura contemporânea (edifício-sede da EDP), hubs de fitness e novos escritórios que atraem empresas unicórnio (Farfetch). Para aqui convergem pessoas de todo o mundo que encontram em Lisboa a “nova Berlim”, onde quase tudo existe ainda a preços da velha Europa.

Saio muitas vezes tarde da minha empresa e no caminho de casa, que gosto de fazer a pé, faço o meu trabalho de campo, observando que cerca de 80% das pessoas com que me cruzo falam outras línguas, são de outros costumes, representam outras raças. Sinto que se fechar os olhos estou numa cidade global. E foi essa cidade global que fui ver ao Museu Nacional de Arte Antiga.

Na base da fantástica exposição, mas modesta face à nossa dimensão planetária da época, está uma obra de um autor flamengo desconhecido, que retrata a Rua Nova dos Mercadores. Lisboa era nessa altura o centro comercial da Europa e essa a rua mais rica do mundo, a mais global do universo; a 5.ª avenida da fervilhante Lisboa do Renascimento, onde se transacionavam: pérolas, diamantes, cânfora, madrepérola, canela. Para Lisboa, convergiram todos os continentes e todos os conhecimentos da época, tal como parece estar a acontecer hoje. As preciosidades e os mercadores são agora outros, mas o blend de energia multicultural é o mesmo que fez de Portugal, uma marca verdadeiramente global.

Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial

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