Opinião

Opinião. Não podemos parar a inovação

Web Summit

Na abertura da Web Summit, esta segunda-feira, António Guterres afirmou que “temos de evitar a reação estúpida de tentar parar a inovação. Isso é estúpido porque é impossível”.

De facto, sempre que surgem alterações tecnológicas mais bruscas e profundas, surgem também medos e ameaças associados a perturbações nos modelos de negócio e nos mercados.

Mas a História também nos ensina que combater a inevitabilidade do progresso tecnológico não é caminho sensato a seguir.

Uma primeira reação diz-nos que a transformação digital pode representar o risco de maior desemprego e desigualdades sociais. De facto, muitas profissões e funções tornar-se-ão dispensáveis ou obsoletas.
Mas não são poucos os estudos que nos indicam que a destruição de postos de trabalho na produção poderão ser mais que compensados pela criação de emprego noutras áreas, com um nível de exigência superior em termos de conhecimentos e competências.

Por isso, temos de encarar a inevitabilidade da mudança, capacitando as empresas e os trabalhadores para a antecipar, minimizando os riscos e potenciando as vantagens.

Em Portugal, temos trunfos importantes para enfrentar os desafios e explorar as oportunidades que decorrem da atual onda de inovação, bem patente nesta segunda edição Web Summit de Lisboa: temos, culturalmente, a grande vantagem da nossa abertura e adaptabilidade a novas realidades; temos boas infraestruturas; temos um poder político sensibilizado para os desafios que se apresentam; e temos, sobretudo, muitas empresas abertas às oportunidades que surgem em resultado destes novos desenvolvimentos e que estão já a aproveitar essas oportunidades.

Os relatórios da Comissão Europeia sobre inovação contrariam o preconceito de uma menor predisposição das empresas portuguesas para inovar.

A par destes trunfos, temos, por outro lado, handicaps que é preciso ultrapassar: porque o investimento é indispensável à incorporação de inovação nos produtos e nos processos, falta-nos vencer os obstáculos que persistem, sobretudo em termos de acesso ao financiamento, para capacitar as empresas para os investimentos que este desafio implica. E falta-nos também capacitar profissionais que respondam às necessidades das empresas.

Mais do que formar trabalhadores para as profissões atuais, que poderão vir a desaparecer, temos de lhes fornecer um conjunto de competências que lhes garantam a empregabilidade ao longo da sua vida ativa.

Como disse também António Guterres, “não é aprender a fazer coisas, mas sim aprender a aprender, porque as coisas que fazemos hoje não são as coisas que faremos amanhã”.

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