Opinião

Opinião. “Não podemos ser complacentes”

António Horta Osório, presidente do Lloyds.
António Horta Osório, presidente do Lloyds.

Quando temos bons resultados é preciso celebrar mas também é preciso voltar logo ao trabalho, pois não podemos perder o foco

A frase, dita e sublinhada por António Horta Osório aos microfones do programa A Vida do Dinheiro, do Dinheiro Vivo e da TSF, ficou no ouvido. “Não podemos ser complacentes”.

Quando temos bons resultados é preciso celebrar mas também é preciso voltar logo ao trabalho, pois não podemos perder o foco e, muito menos, ser complacentes, defende o banqueiro. Não poderia estar mais de acordo! Celebrar uma vitória e ficar a descansar à sombra desta é meio caminho andado para o declínio.

Por isso, julgo que é necessária prudência na análise dos números mais recentes do crescimento do PIB. Os dados do INE revelam que o crescimento do primeiro trimestre foi de 2,8%, uma boa notícia que não deve, no entanto, provocar a desaceleração do motor económico, para já assente sobretudo no turismo. O Presidente da República portuguesa admite que o país poderá crescer 3,2% este ano. Será otimismo? Na opinião de António Horta Osório estamos no caminho certo para lá chegar e o mérito é deste governo, mas também do anterior.

Para crescer foi determinante trabalhar na estabilização do sistema financeiro, setor que esta semana é examinado pelo banqueiro português. O gestor herdou uma instituição à beira da falência, ao ponto de ser intervencionada pelo Estado britânico, e fez o turnaround. Resultado: esta semana o Tesouro britânico anunciou a saída total do capital do Lloyds, e com lucros.

A marcar ainda esta semana, as novelas a que assistimos nas grandes potências das Américas, que ficaram a braços com sérios problemas com os seus presidentes. O chefe de Estado do Brasil diz que é conspiração, o dos Estados Unidos fala em caça às bruxas. Quem sofre com todas estas embrulhadas políticas e os escândalos é a economia. As bolsas deram um trambolhão, os investidores encolheram drasticamente os seus níveis de confiança e os consumidores seguem o mesmo caminho, nestes dois mercados. A estabilidade política é decisiva. Por cá, pelo menos esse fator não nos falta para continuar a crescer.

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