Opinião

Opinião. No fio da navalha

Financiamento colaborativo é considerado uma alternativa aos bancos

Portugal é um dos países com a taxa de poupanças mais baixas da Europa, pelo que grande parte dos empreendedores não tem acesso a capitais próprios

Uma startup é uma organização com uma solução inovadora, desenhada para crescer rapidamente, mas ainda à procura de um modelo de negócio escalável. Para uma boa parte delas, o investimento de capital de risco surge como o principal modelo de financiamento. No entanto, nos EUA apenas 27% das startups adquiridas e 10% das empresas com maior crescimento receberam investimento de capital de risco, sendo as poupanças pessoais (30%) e os empréstimos bancários (35%) as principais fontes de financiamento.

Portugal é um dos países com a taxa de poupanças mais baixas da Europa, pelo que grande parte dos empreendedores não tem acesso a capitais próprios e os bancos, apesar de não serem investidores adequados para as fases iniciais, não têm sido capazes de injetar investimento produtivo na economia, devido à própria descapitalização e à crónica dificuldade de avaliar risco e de alavancar mecanismos públicos e europeus.

Há cinco anos havia uma falha de mercado no investimento de capital de risco em Portugal. Hoje o cenário é distinto, há investidores profissionais, como a Faber Ventures, Armilar, Shilling Capital, Busy Angels, EDP Ventures, Sonae IM, LC Ventures, com a Caixa Capital e a Portugal Ventures à cabeça, e cada vez mais investidores internacionais.
Foram aprovados, recentemente, dezenas de novos veículos de investimento e Fundos de Capital de Risco, num total de 100 milhões de euros de capitais públicos e privados. Foi também anunciada uma linha de 200 milhões de euros para coinvestimento deal-by-deal, o que pode ser uma excelente iniciativa desde que não contribua para a exclusão de investidores profissionais dos deals internacionais.

São excelentes notícias, apesar da necessidade de promover mais investimento crossborder e de condições de mercado mais apropriadas para as dimensões médias dos fundos nacionais. Mas temos de continuar a profissionalizar o setor e alinhar com as boas práticas internacionais e, mais crítico ainda, é preciso fechar o ciclo de investimento através de exits significativos (i.e. IPO ou vendas), que permitam devolver dinheiro aos investidores e consolidar esta exigente indústria.
É também importante alinhar esta estratégia de capital de risco com os novos fundos europeus (mais de 2000 milhões para inovação em Portugal) e com novas linhas bancárias de inovação, e fomentar uma maior recapitalização da nossa economia a todos os níveis.
Vivemos numa economia de talentos, em que o empreendedor e o investidor são a expressão paradigmática deste tempo, caminhamos no “fio da navalha” e é o medo de não materialização da nossa visão que nos faz pulsar e avançar.

Co-Founder & CEO, Beta-i

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