Opinião

Opinião. O futuro não está escrito, é necessário construí-lo

Economia chinesa cresceu mais 0,1%

Seguramente que, em breve, assistiremos a revisões em alta das previsões de crescimento económico para 2017

A recente estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE) para o primeiro trimestre de 2017, com o produto interno bruto (PIB) a acelerar para a taxa de crescimento homóloga mais elevada desde o quarto trimestre de 2007, é, sem dúvida, motivo para reforçar a nossa confiança no futuro.
Sobretudo porque esta aceleração resultou do bom desempenho das exportações e do investimento, que acentuaram o seu crescimento. Além disso, o aumento das exportações terá excedido o das importações. Este perfil é, assim, compatível com uma trajetória sustentável da economia.

Seguramente que, em breve, assistiremos a revisões em alta das previsões de crescimento económico para 2017. De facto, bastaria que, nos próximos três trimestres, o PIB não retrocedesse face ao valor absoluto agora registado para que a taxa de crescimento atingisse 2% no cômputo do ano de 2017, mais do que o apontado até agora pela generalidade das previsões, de entidades nacionais ou internacionais.

A este propósito, recordo algumas das mensagens que resultaram do 14.o Encontro Nacional de Inovação da Cotec Portugal, que teve lugar esta semana, em Matosinhos, sobre as dificuldades que temos em prever o futuro.

Se é verdade, como se disse, que “somos viciados em previsões como forma de lidarmos com imprevisibilidade”, também é verdade que fazer cenários futuros é uma forma para conseguir tomar melhores decisões no presente.

De facto, como dizia um especialista em prospetiva, o futuro não está escrito, é necessário construí-lo. O amanhã depende menos de tendências passadas do que das decisões que hoje são tomadas para alterar ou reforçar essas tendências. Nesta linha, nem os bons resultados desta semana, nem as previsões mais favoráveis que certamente se seguirão, poderão dar lugar a atitudes de complacência.

Os desafios são grandes e urgentes, reclamando, por parte do poder político, reformas essenciais para criar as condições para atingir taxas de crescimento económico mais elevadas, baseadas em ganhos de competitividade e, por parte das empresas, um constante esforço de adaptação e de inovação.

Foi esta, também, a mensagem do Encontro da Cotec: urgência para capacitar as organizações com maior flexibilidade e poder de adaptação e mais investimento em inovação e na qualificação dos recursos humanos, porque, como foi dito, “só através da inovação se conseguirá ter uma economia mais próspera e sustentável”.

Como resultado desta mensagem, ficam dois apelos: ao poder político, para que remova continuamente os fatores de constrangimento das empresas na inovação; às empresas, para que cooperem mais entre si, apostando na “inovação colaborativa”.

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