OE2019

Opinião OE2019. “Mais cedo ou mais tarde chegará”

Rosalia Amorim

Empresários querem saber se IRC baixa e se custos energéticos descem

Afinal do que estamos à espera? Já tanta informação foi publicada acerca do Orçamento do Estado para 2019 que já pouco se espera de novidade. As boas notícias já terão sido quase todas dadas. Os aumentos para funcionários públicos, aumentos para pensionistas, gastos na educação e rendas no interior dão 700 euros no IRS, ISV com desconto até 24% para minimizar as regras, data de entrega do IRS alargada, horas extra deixam de contar no salário mensal para retenção no IRS, o Pagamento Especial por Conta (PEC) deixa de ser obrigatório, aumentam as verbas para a saúde, manuais escolares gratuitos até ao 12º ano, redução da propina máxima do ensino superior, benefícios fiscais para emigrantes que queiram regressar, alargamento do abono de família, redução dos passes sociais nos transportes.

Do lado das más notícias, que pesam no bolso, há a registar agravamentos nos impostos sobre carros de empresas penalizando os seus utilizadores, alterações no AIMI, o imposto de selo sobe para o crédito ao consumo, as bebidas com açúcar voltam a subir pela carga fiscal, o tabaco sobe e os sacos de plástico também.

Já muito se sabe deste OE. E sabe-se também que temos uma despesa excessiva e garantida, mas que a receita é incerta. Sobretudo se a conjuntura internacional de desaceleração contagiar ainda mais o crescimento da economia nacional em 2019, cuja estimativa do governo de 2,2% de crescimento já revela essa tendência. O ministro das Finanças disse ao Dinheiro Vivo, no último domingo, que “é preciso criar espaço orçamental para responder a um eventual abrandamento da atividade económica, incerto na data, mas na certeza de que mais cedo ou mais tarde chegará”.

Por isso, não só para prevenir tempos vindouros mas também para aumentar a competitividade das empresas nacionais, os patrões reclamam duas coisas: a redução da fatura energética e a redução da taxa de IRC. António Saraiva, presidente da CIP – Confederação da Indústria Portuguesa, reclama-o há muito. Também Bruno Bobone, presidente da CCIP –Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa afirma que “existem três medidas prioritárias: a descida do IRC, a redução do custo da energia e a promoção da produtividade do trabalho como fator de determinação da política salarial”. Mais: “uma baixa da taxa do IRC é fundamental para que as empresas portuguesas sejam competitivas nos mercados internacionais”, acrescenta o presidente da CCIP.

Os empresários querem saber se este OE será ou não amigo das empresas. Mas os empresários também declaram que depositam poucas esperanças nessa ‘amizade’. Será isso que falta conhecer. “Mais cedo ou mais tarde chegará” a notícia que falta para fazer girar, com maior ou menor velocidade, a roda gigante do meio empresarial.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: Rodrigo Cabrita/Global Imagens

Idosos com isenção de mais-valias se aplicarem dinheiro em PPR

Cecília Meireles

CDS também quer IRS atualizado à taxa de inflação

Foto: Filipe Amorim/Global Imagens

“A banca não está a ajudar o Sporting na emissão obrigacionista”

Outros conteúdos GMG
Opinião OE2019. “Mais cedo ou mais tarde chegará”