Optimismo na fusão Optimus-ZON?

Há já vários anos que se falava de uma eventual fusão nas
telecomunicações nacionais, entre dois dos três maiores operadores
além da Portugal Telecom: ZON, Optimus e Vodafone.

A reacção maioritária à anunciada fusão tem falado do aumento
da concorrência no sector em resultado da exploração de sinergias.

Vale a pena recordar algumas regularidades de fusões
empresariais, que surgem de análises de longo prazo e com base em
diversos sectores de actividade, para contextualizar o que se pode
esperar desta fusão.

Primeiro, em geral, todas as fusões reclamam como motivo para a
sua realização a existência de potenciais sinergias, que raramente
se observam na extensão propagandeada depois de feita a fusão.
Aliás, em média as fusões destroem valor das empresas
participantes. Ou seja, se há casos em que uma fusão dá, de facto,
um novo impulso às empresas que nela participam, em muitos outros
casos sucede o oposto. Ao entusiasmo inicial da fusão é frequente
suceder-se a desilusão de uma realidade mais complexa do que
antecipado na integração de culturas empresariais distintas.

No caso da fusão ZON e Optimus, as suas principais concorrentes,
PT e Vodafone, não deixarão de aproveitar a instabilidade interna
que qualquer processo de fusão gera para darem a “dentada” que
puderem nos negócios da nova empresa, antes que esta consiga estar
reorganizada e preparada para os desafios concorrenciais.

Segundo, para os consumidores raramente a redução do número de
empresas no mercado se traduz num aumento de concorrência. Empresas
maiores que resultem de uma fusão poderão ter maior “músculo”
concorrencial, melhores condições de desafiar no mercado outras
empresas, sobretudo se conseguirem realizar (pelo menos em parte) as
sinergias anunciadas (o que não é certo, como se referiu
anteriormente). Adicionalmente, não basta que as empresas tenham
sinergias para os consumidores ganharem com a fusão, é necessário
que essas sinergias sejam de alguma forma transmitidas aos
consumidores, via menores preços e oferta mais diversificada de
produtos.

Mas ter condições para concorrer mais agressivamente é uma
coisa, ter interesse em fazê-lo é outra. Uma empresa grande, com
quota de mercado mais elevada, tem mais a perder por entrar em
“guerras” de quota de mercado do que uma empresa pequena. Também
aqui não é claro que os efeitos apregoados, neste caso de maior
concorrência, se venham a verificar.

Veremos o que o futuro nos trará, e se os
comentários que têm sido produzidos bem como as expectativas das
empresas envolvidas são, ou não, demasiado optimistas. Para elas e
para os consumidores.

Nova School of Business and Economics

Escreve à segunda-feira

ppbarros@novasbe.pt

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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