Opinião: Carlos Coelho

Os 7 desafios da marca de Portugal

Maria João Gala/Global Imagens
Maria João Gala/Global Imagens

"Made in Portugal era uma vergonha, hoje é uma origem de elevado potencial, ainda não monetizada"

1. A qualidade. Espanhóis compram azeite português a granel para colocar no mercado internacional com rótulos Italianos. Por muito que nos custe, a qualidade intrínseca dos nossos produtos não é suficiente. Nós sabemos que o nosso azeite é extraordinário, mas o mundo não sabe. A qualidade percecionada define mais de metade do valor de uma marca.

2. O preço. Numa economia digital onde os consumidores são globais, a marcação de preços é hoje um dos maiores desafios e oportunidades para as marcas. Temos tendência para crer que os nossos produtos são tão bons ou melhores que os dos outros, mas se nos temos em tanta consideração, porque nos vendemos tão barato? Subir o preço, é a qualidade que nos falta para valorizar e posicionar a nova marca de Portugal no mundo.

3. O estômago. Portugal é de se comer: temos um mapa identitário escrito num receituário que fermenta na ancestralidade da nossa memória. Temos uma massa humana extraordinária capaz de, com o tempero do tempo, fazer da nossa gastronomia uma poderosíssima arma, para conquistarmos o mundo pelo estômago.

4. A imaginação. . A marca de Portugal é um concentrado de autenticidade que o mundo começou a valorizar. É tempo de largar ferro, de voltar a Navegar, de criar as marcas Portuguesas do amanhã; com a mesma fibra de Imaginação de que afinal sempre fomos feitos.

5. Os saltos altos. As marcas são as atrizes principais da economia e como tal não são transações, são relações que se querem fortes e sedutoras. Portugal tem hoje um Je-ne-sais-quoi na sua marca e já começamos a não precisar de estar em bicos de pés para ser notados. Para continuarmos a dar o salto, precisamos de caminhar de saltos bem altos, num equilíbrio de “essensualidade”, como tudo na vida deveria ser.

6. O interior. A Marca de Portugal só será completa se cuidar do seu interior, desequilibrando a balança do óbvio, para discriminar o olhar sobre um Portugal genial que guarda muitos dos segredos da nossa identidade. A oportunidade está em usar o potencial dos holofotes do mundo, para baixar a pressão exercida nas cidades. Um desafio reformista de quem se recusa ver um país a definhar, no interior do seu próprio país.

7. O “descaramento”. Temos tudo para ser felizes e ricos! Temos muito talento, falta-nos um certo tipo de “descaramento” que nos permita afirmar-nos na Champions League das marcas. Precisamos de desaprender as teorias cartesianas do marketing. De que nos serve a marca País mais emergente da Europa, se não formos capazes de ganhar a eleição da valorização da nossa economia. Precisamos de marcas ricas, que se vendam caro a quem nos quer tanto e tem tanto poder de compra. Não deixarei de escrever assim, sobre marcas, enquanto houver um português pobre!

Presidente da Ivity Brand Corp

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