Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Os planos em período de retoma

Presidente da Comissão europeia, Ursula Von Der Leyen, na apresentação do plano de recuperação europeia. Fotografia: Olivier Hoslet/EPA
Presidente da Comissão europeia, Ursula Von Der Leyen, na apresentação do plano de recuperação europeia. Fotografia: Olivier Hoslet/EPA

É lamentável que a TAP negligencie o Norte do país, a região com mais forte vocação industrial, que mais emprega e que mais exporta

Esta semana tivemos notícias de dois novos planos que, só aparentemente, nada têm de comum: o plano de retoma de voos da TAP e o plano europeu de recuperação económica.

Como referi há dois meses neste espaço, ninguém tem dúvida da necessidade urgente do lançamento de um programa de recuperação da economia europeia, que permita assegurar a proteção das empresas, dos postos de trabalho, do rendimento das famílias e garantir uma saída rápida desta recessão profunda.

A Europa demonstra estar agora à altura dos fundamentos da sua existência, com a proposta de 750 mil milhões de euros: dois terços sob a forma de subvenções e o restante de empréstimos. Para Portugal, apontam-se 26,3 mil milhões de euros, o que corresponde a 12,5% do PIB. Estamos perante uma ordem de grandeza semelhante à dotação global dos fundos do Portugal 2020.

É certo que a Europa tem ainda pela frente um processo duro de negociação política, mas creio que a posição do eixo franco-alemão é um ponto a nosso favor. Falta também conhecer as condicionalidades, mais ou menos exigentes.

Agora, Portugal terá também de estar à altura, alocando verbas aquilo que constituem os desígnios estratégicos do país. O apoio ao investimento privado, em particular ao aumento das exportações e substituição de importações, à valorização da oferta nacional, à reindustrialização, fortemente indutora da economia circular, e à (re)qualificação dos ativos, tendo em conta a digitalização, são áreas fundamentais.

É por isso que olho com enorme desagrado e preocupação para o outro novo plano, o da retoma de voos da TAP, em que apenas pouco mais de 10% são a partir do Porto. A TAP é uma companhia de bandeira nacional e, portanto, é lamentável que negligencie o aeroporto Francisco Sá Carneiro, com uma importância significativa no Noroeste Peninsular, e negligencie o Norte do país – a região com mais forte vocação industrial, que mais emprega e que mais exporta.

Reafirmo, a mobilidade de pessoas e bens é essencial no processo de recuperação e desenvolvimento do país, especialmente na crescente e desejável internacionalização da economia.

É pena que não estejamos todos a remar para o mesmo fim, isto é, para que o país consiga rapidamente alcançar uma recuperação bem-sucedida!

No momento em que escrevo este artigo há indícios de que a TAP já terá reconsiderado a sua decisão. A ver vamos!

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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