Opinião

Oxford, simplificado

Stephan Morais (Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens)
Stephan Morais (Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens)

O BMW que sobe a estrada à nossa frente está a começar a derrapar na neve que não pára de cair. Lá fora estão 2 graus negativos, mas a sensação é de menos 20 facilmente. Neste fim-de-semana muito gelado realizou-se o evento anual dedicado ao empreendedorismo da Oxford Business School e depois de um jantar à luz das velas num dos centenários dinning halls dignos do Harry Potter, iniciou-se na manhã seguinte o evento principal, restrito a 500 pessoas e com oradores de topo de todo o mundo. Desde o fundador do Twitter ao do gigante online de entrega de comida JustEat e muitos investidores de topo de todo o mundo. Como esperado, o evento não decepcionou e não há nada melhor do que sairmos do nosso país frequentemente para rever o mundo com outra perspectiva e mais claridade.

Não sendo fácil condensar tanta partilha de conhecimento numa pequena coluna, há lições que convém relembrar e partilhar. Fascinante foi escutar quem fez uma entrada em bolsa, de 1,4 mil milhões de libras, admitir que errou ao esperar demasiado tempo no início do negócio para angariar Venture Capital de fundos profissionais independentes e que isso poderia ter significado que a Just Eat poderia estar hoje ainda mais longe da concorrência. Ou, admitir que foi duro ser despedido da sua própria empresa, mas que ao ser convidado novamente passados uns anos para voltar a CEO está agora muito mais preparado para gerir um gigante mundial de social media como o Twitter. É de uma simplicidade refrescante.

E aquelas verdades óbvias mas que tão poucos aplicam – a cultura positiva ou negativa da empresa dita mais o seu sucesso do que a estratégia, assim como a necessidade de ser correto com os colaboradores, os fornecedores, parceiros e claro com os clientes. Tudo óbvio mas raramente aplicado. Tão simples no mundo Anglo-saxónico, nas empresas excelentes de craveira mundial, grandes ou pequenas.

Por último, o painel onde tive a oportunidade de contar um pouco o grande caminho de desenvolvimento que tem vindo a acontecer no ecossistema de empreendedorismo em Portugal. Como encontrar as grandes oportunidades de investimento era o tema. À parte do óbvio para nós investidores, dizia o meu colega de um grande fundo internacional: “no fim só investimos, primeiro nos mais inteligentes dentro dos inteligentes; segundo, só nos que sabem profundamente do tema e indústria específica onde estão a querer empreender; por último, em pessoas excepcionais – de uma resiliência e tenacidade incrível, porque provavelmente vai correr mal o caminho; e com uma ambição enorme, porque só vale a pena se for para conquistar o mundo; e por último de uma humildade suficiente para admitir erros, saber ouvir e trabalhar com os investidores”. Não poderia ter dito melhor. Simples, directo, eficiente – Oxford.

Stephan Morais, Entrepreneurship Expert – Oxford Said Business School, Center for Entrepreneurship

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mario Draghi. Fotografia: BCE

Draghi. Salários já não são grande ameaça à inflação

O Bastonário Marinho e Pinto

Batalha “pela liberdade na internet” decidida amanhã

Fotografia: Benoit Tessier/Reuters

Novas compras de media pela Altice é cenário “pouco provável”

Outros conteúdos GMG
Oxford, simplificado