Opinião: Rosália Amorim

Paciência de chinês

Xi Jinping, Presidente da China. (Fred Dufour/Pool via REUTERS)
Xi Jinping, Presidente da China. (Fred Dufour/Pool via REUTERS)

Uma boa aliança só é possível graças ao respeito mútuo e à visão estratégica na geopolítica e na economia.

Xi Jinping, o presidente da República Popular da China, está prestes a aterrar em Portugal. Tem uma visita oficial marcada para terça e quarta-feira. Vai estar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, António Costa. Alguns empresários e até políticos julgaram, durante algum tempo, que esta viagem poderia não se realizar tendo em conta o processo conturbado da OPA da CTG (China Three Gorges) sobre a EDP. Mas a relação da China com Portugal já não se fica apenas pela energia, estende-se à banca, aos seguros, às infraestruturas, às tecnologias e até aos vinhos, entre outros negócios. É “uma amizade que transcende o tempo e o espaço, uma parceria voltada para o futuro”, afirma o Xi Jinping, num artigo exclusivo que sai com o DN e JN este domingo.

A China e Portugal estabeleceram relações diplomáticas em 1979. Daqui a pouco os dois países vão comemorar o 40.o aniversário. Uma boa aliança só é possível graças ao respeito mútuo e à visão estratégica na geopolítica e na economia. Porque, acredito que, em pleno século XXI, não há política nem diplomacia sem negócios justos para ambas as partes.

Os chineses são pacientes, já diz o ditado, mas na hora de decidir são tão assertivos e competitivos quanto os povos ocidentais. A paciência e a visão de longo prazo são características que lhes associamos enquanto povo, mas não nos iludamos quanto ao pragmatismo na hora de fechar parcerias, negócios, aquisições.

“Atualmente, tanto a China como Portugal estão na fase crucial de desenvolvimento”, refere o presidente chinês, no mesmo artigo. São duas economias, uma menos aberta do que a outra, que necessitam das exportações e da internacionalização para vingaram face aos seus concorrentes. Para a China, há um outro desafio: “Precisa de transformar o seu modelo de crescimento num modelo com maior peso do consumo interno”, afirma, por seu turno, Jorge Magalhães Correia, um dos rostos do investimento chinês em Portugal, numa entrevista que dá nesta edição do Dinheiro Vivo. É o presidente do conselho de administração da Fidelidade e é global partner da Fosun. E sublinha que “é na forma como cumprimos os nossos deveres que a nossa portugalidade se manifesta”.

Nesta semana pode ler vários artigos acerca do potencial desta relação Portugal-China. Esta aposta do Dinheiro Vivo e do Global Media Group traduz-se ainda num debate, em formato pequeno-almoço executivo, que acontece nesta segunda-feira com os principais líderes das grandes empresas portuguesas e chinesas, que se relacionam cada vez com maior proximidade, na maioria dos casos através das suas estruturas acionistas.

Se soubermos capitalizar a nossa relação com outros povos irmãos da CPLP (o que é relevante para a China), se formos competitivos e, ao mesmo tempo, salvaguardarmos o ADN lusitano, seremos respeitados e teremos um caminho de crescimento para trilhar. E convém não esquecer a velha máxima ibérica: o caminho faz-se caminhando.

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