Pandemia em modo novela

Finalmente o desconfinamento... mas ainda não em pleno. A economia volta a abrir-se em outubro... mas não sem restrições. E quanto ao caminho que ainda falta percorrer para as empresas dos setores que mais sofreram com a pandemia e os respetivos confinamentos e condicionamentos impostos pelo governo voltarem a respirar, a decisão há de saber-se mais tarde.

Para já, descansemos que há cobertura para garantir os créditos em moratória que não forem saldados a horas - o que é uma boa notícia, mesmo antecipando-se que essa garantia pouco necessária venha a ser depois de prolongados os prazos, buriladas alternativas que dividem risco e sobretudo das negociações que os bancos têm levado a cabo com os clientes com moratórias, para garantir que à crise pandémica não se seguirá uma financeira (algo que o regulador trabalha para evitar desde o primeiro dia).

O anúncio que o primeiro-ministro fez nesta semana, em modo António Costa a encerrar a campanha autárquica, não fugiu ao esperado, não comprometeu, não causou revolta ou desagrado maior... Mas também pouco adiantou sobre o que mais importava: conhecer a estratégia do governo para segurar quem ainda precisa de amparo e deixar o resto da economia seguir em frente. Em vésperas de eleições e de Orçamento do Estado, António Costa preferiu seguir a via rápida da boa nova e empurrar o que tem potencial para aborrecer famílias e empresas para dia 11 de outubro e para a voz do seu ministro das Finanças.

Será a João Leão que caberá a tarefa de anunciar os custos da transição energética que manterão em alta as faturas da luz e do gás e castigarão os combustíveis - leia-se, quem os usa e tem de pagar - para desincentivar a sua utilização. Caber-lhe-á anunciar novos escalões de IRS e demais medidas negociadas à esquerda e não ter palavra a dizer sobre alívios fiscais a que os parceiros que garantem a estabilidade governativa torcem o nariz. Também será ele a fazer brilhar o défice, mas Costa bem sabe que isso vale pouco em popularidade - e é até, cá dentro, inversamente proporcional ao muito que as contas certas valem além-fronteiras, sobretudo junto dos nossos credores.

As restrições quase acabam mas nada garante que não voltarão, em reviravolta digna de novela mexicana - e se a pandemia as tem tido... Ainda que se possa desconfiar que certos retrocessos mais não serviram do que para empurrar eventuais problemas para dias melhores. A crise acabou? É esperar para ver o que trarão os próximos episódios.

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