Pandemias e fraudes

1. Temos vivido, como todos sabem, numa época de pandemia universal causada pela covid, e ela tem marcado todos nós e a sociedade não apenas como uma pandemia médica, mas também como uma pandemia do medo, da suspeita e da irracionalidade, além de outras (de que eventualmente destacaríamos a pandemia económica e a noticiosa, assim como influência do passado - limitativo ou potenciador - sobre o presente). É do conjunto de muitas destas pandemias que nasce um acordo temporário entre o Estado produtor das leis, as autoridades policiais e a opinião pública, sobre as fronteiras da criminalidade.

Da multiplicidade de pandemias referidas resultam acções contraditórias, ora no mesmo espaço ora em diferentes locais, ora simultâneas ora temporalmente desfasadas. Alguns exemplos: obrigatoriedade de máscara, limitação das liberdades e a recolha obrigatória e maior disponibilidade para aceitar regulamentação governamental para evitar males maiores; assalto a lojas dirigida pelas populações conduzidas à miséria neste período; corte de estradas e impedimento de saída dos transportes públicos por parte de populações que se sentiam protegidas; ataques a hospitais e profissionais de saúde por quem considerava que a pandemia era uma mentira e uma forma de conspiração para matar pessoas ou de regimes ilegítimos controlar as populações.

Entretanto, algumas máfias e grupos criminosos aproveitaram também a oportunidade para melhorar as suas imagens junto das populações, sem, contudo, abandonarem as suas actividades.

2. Simultaneamente, oportunistas, criminosos vários e a criminalidade organizada internacional aumentavam as suas principais ou novas fraudes, com grande capacidade de adaptação ao tempo e às formas de se comportarem.

Eis alguns exemplos:

- Se existe um grande desejo de se saber se se apanhou ou não a doença, multiplicaram-se os falsos laboratórios ambulantes, cobrando no momento e desaparecendo depois;

- Se todos querem não apanhar o vírus, porque não a publicitação de falsos medicamentos de cura ou prevenção?

- Se há limitações na aplicação das vacinas, porque não os chorudos negócios de falsa ou efectiva vacinação a preços elevadíssimos (também dando para corromper quando necessário)?

- Se a internet é indispensável à vida de muitos, porque não lhes extorquir dinheiro por toda e qualquer via viável?

- Se as compras não presenciais (pela internet) aumentaram tanto de dimensão, por que não vender o que não existe, fazerem-se passar pelos correios pedindo uma ninharia - mas a vários milhões -, para fingirem conseguir cumprir a sua missão?

Porque não aproveitar o alargamento dos utilizadores da internet e dos incautos com antigas fraudes informáticas (como o phishing)?

Porque estamos numa epidemia há novos contornos da criminalidade e novas formas (associadas a uma longa experiência passada) de fraude.

Há que redobrar os cuidados! De todos nós!

Carlos Pimenta, sócio fundador do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF)

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de