Para quando uma “Sexy Education”?

Como habitual, a consultora americana Gartner destacou as tendências da tecnologia para os tempos que se avizinham. Contudo, será igualmente interessante olhar para simbiose entre os desafios permanentes da evolução tecnológica e a formação em Portugal.

Estamos perante a necessidade de um novo paradigma?

O mercado está em constante mutação, no entanto, apesar dos avanços tecnológicos, da criação de processos automatizados ou do desenvolvimento de Low Code, a tecnologia continuará a depender de pessoas e de bons profissionais.

Assim, se o melhor software é o que se adapta com mais eficiência à realidade da organização e do utilizador, é importante assegurar que essa solução se baseia em recursos humanos com conhecimento técnico e humano que permitam a facilitação da comunicação e a identificação das necessidades da organização e do utilizador. Nesta perspetiva, as organizações, em vez de “executantes”, procuram contratar pessoas que acrescentem valor e encontrem soluções.

À luz da rápida evolução tecnológica, as organizações necessitam, nas suas estruturas, de profissionais ágeis e completos. Pessoas com capacidade de entender as necessidades do negócio e do utilizador e para fazer a ponte entre as equipas técnicas e não técnicas.

Se olharmos para as áreas de desenvolvimento, falamos de pessoas que desenvolvam software rápido, intuitivo e altamente escalável e que integrem a relação holística entre Desenvolvimento, Dados e a Utilização Intuitiva das plataformas e aplicações desenvolvidas.

Serão estes profissionais que facilmente conseguirão justificar que o IT esteja no topo das profissões mais bem pagas.

Contudo, olhando para os inúmeros recém-licenciados que são entrevistados pelas empresas, são escassos os que, de forma imediata, responderão às necessidades identificadas.

Está assim justificada a valorização crescente de pessoas que, independentemente do tempo de experiência, conseguem discutir conceitos de arquiteturas de software, sabem a diferença entre arquiteturas monolíticas e de micro serviços, ou ainda, apresentarem opiniões objetivas sobre conceitos consolidados como Business Intelligence e Big Data e ou emergentes como Artificial Intelligence e Deep Learning.

Se hoje, as necessidades tecnológicas são diferentes de há 20 anos, os profissionais, sob pena de desatualização, devem acompanhar essa evolução. Neste contexto, para responder às necessidades cada vez mais complexas do mercado e perante a cristalização da formação académica, são as empresas que assumem a vanguarda do investimento e da formação ao disponibilizarem uma forte componente de Training e R&D, além de financiar formações e certificações para os seus profissionais, garantindo, desta forma, que a consultoria, no verdadeiro sentido e objetivo da palavra, é inerente ao perfil dos profissionais.

Concluindo, qual o sentido dos planos curriculares “Legacy” completamente desactualizados e arcaicos? Devemos continuar a licenciar engenheiros informáticos através do Jogo do Galo?

Não seria tempo das Universidades e Institutos, na sua generalidade, atualizarem os seus planos curriculares para que os novos profissionais estejam mais em linha com a evolução do mercado de trabalho tecnológico?

Enfim, quando é que paramos de formar profissionais para 2000 e começamos a prepará-los para o futuro?

João Santos Silva, Senior Manager, Decode

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