Para quê reconhecer o óbvio?

Em 1994, a ONU lançou o tratado internacional das Nações Unidas para Alterações Climáticas e desde então que anualmente se realiza a chamada Conferência das Partes (COP), com vista a debater o tema, partilhar informação, estabelecer objetivos e medidas de implementação. Acontece que, passados mais de 25 anos, o setor privado não foi sequer convidado para integrar as ditas reuniões.

O assunto é complexo, não faltando especialistas renitentes quanto ao apocalipse climático. Não me refiro apenas aos críticos, como o falecido prof. Freeman Dyson, que apontou falhas nos modelos utilizados, ou o cientista japonês Kiminori Itoh, que rejeita a causa antropogénica. Mas, por exemplo, aos próprios climatologistas das Nações Unidas que ao contrário de Greta & Cia não vão na histeria de prever o fim do mundo a 20 anos.
Aproveitando a tal complexidade, as empresas poderiam até encontrar belas desculpas para se escusarem ao problema. Sucede que essa não é a realidade. O setor privado tem-se adaptado lindamente aos desafios ecológicos.

Exemplo disso tem sido a descomunal capitalização bolsista da Tesla, bem como o IPO da Rivian - que com a venda de 156 carros garantiu 12 mil milhões de dólares de capital. Há maior prova de que os mercados apostam no futuro verde?

Há quem acuse, à direita, as grandes corporações de interesse político numa agenda global de controlo regulatório. Não faço ideia do que se passa acima do nível corporativo, mas uma coisa é certa: para qualquer empresa, minúscula ou gigante, regulamentação em excesso aliada a moralismo ecológico é uma dor de cabeça, não um benefício. À esquerda, o setor privado no seu todo é visto como o papão que, dado ao seu pérfido e louco egoísmo, se opõe à própria sobrevivência do planeta. Sendo a conceção ainda mais desfasada da realidade. Basta ir ao site do Science Based Targets initiative (SBTi) para ver como mais de 2000 companhias já aderiram ao compromisso de redução do carbono.

Pressionadas acima e abaixo, à direita e à esquerda, dispensadas até das reuniões COP, as empresas estão longe de ser o problema. Têm até sido a solução mais eficaz e eficiente para os desafios ecológicos do nosso tempo. Mas para quê reconhecer o óbvio quando é tão mais fácil regulamentar a metro?

Economista e investidor

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