Parem de brincar às casinhas

Confesso ser cofundador de uma promotora imobiliária que criou um modelo para fornecer habitação própria acessível e gerente de uma empresa que apoia investidores que podem ter interesse em comprar imóveis do Estado. Sou, portanto, suspeito.
Fui responsável pela promoção do investimento em Lisboa durante dez anos, em que aprendi muito. Lancei a Startup Lisboa, depois liderada pelo saudoso João Vasconcelos, que desde o início quis na Baixa, para ajudar à sua revitalização. Fui Personalidade do Ano da Magazine Imobiliário, do saudoso Joaquim Pereira de Almeida. Tive a honra de ajudar a pensar o futuro de Frankfurt e João Pessoa. Entre tantas experiências.

Vem isto a propósito da forma como o Governo gere os milhares de imóveis do Estado, muitos deles devolutos ou subutilizados e a degradar-se há décadas.
Antes, promovia-se a reabilitação urbana e a valorização do território, fomentava-se o investimento e o emprego através da venda ou concessão desses imóveis e, com as receitas, ainda se abatia a dívida. António Costa, em Lisboa, fez ainda melhor, com o "Reabilite Primeiro e Pague Depois" e com as concessões no Terreiro do Paço.

Já o atual Ministro dos Aviões, Comboios e Casas, decidiu transformar imóveis devolutos do Estado em habitação acessível. O problema é que esses imóveis, (antigos, degradados, e de serviços), não servem para esse uso e o Estado não tem vocação para promotor imobiliário, pelo que os imóveis continuam a degradar-se e... não se cria habitação.

Para fazer habitação acessível é necessária construção nova, com escala, e localizações apropriadas. Se o Governo quer mesmo resolver o problema deve dar condições aos privados para o fazerem, tal como se fez com a reabilitação. Não é com os seus imóveis, nem com este nível de impostos à habitação, só de IVA são 23%, não dedutíveis, ou o tempo que leva a agir ou a licenciar que o vai conseguir. E por favor não insistam pois vão gastar muitos milhões quando isso podia ser feito de borla...
Está alguém ao leme?

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