catarina beato

Parentalidade. Licença a dois precisa-se

catarina beato

Perante esta ideia alguém comentava: "A economia não aguentaria duas pessoas em casa a receber subsídio"

Eu defendo que devia existir a possibilidade de um casal usufruir mais tempo de licença de parentalidade em conjunto. Falo da possibilidade em termos legais mas também da abertura das empresas para que esse tempo pudesse ser gozado sem qualquer constrangimento causado pela entidade patronal do pai ou da mãe. Atualmente existe já um número considerável de homens que gozam a licença de parentalidade mas isso acontece porque a mãe está a trabalhar e não para que este momento seja vivido em casal.

Perante esta ideia alguém comentava: “A economia não aguentaria duas pessoas em casa a receber subsídio”. Eu acho que podiam ser estudadas formas economicamente viáveis.

Fui solteira até aos 37 anos por isso podem acusar-me de ignorância sobre o assunto sobre o qual arrisco escrever mas tenho a certeza – a minha e nunca absoluta – que isto de ser casal é como criar uma empresa e depois querer que a coisa não vá à falência.

Primeiro que tudo, ambos os projetos dão muito mais trabalho do que imaginamos. Há sempre aquela excitação inicial, pensar em tudo de bom que pode estar para acontecer, mas depois é preciso investir (muito e todos os dias).

Quando um casal decide ter um filho é assim como abrir uma sucursal num país estrangeiro. Mesmo que a empresa tenha já muito sucesso está a entrar em terreno desconhecido. O negócio pode parecer o mesmo mas há um número infinito de variáveis novas e diferentes.

Um filho também pode ser um salto para melhor na vida de um casal como pode ser a sua desgraça. É que se a empresa já precisava de investimento, agora ainda mais.

Quando um dos membros do casal fica em casa sozinho a gozar a licença de parentalidade é assim como por o sócio (o tal que detém os outros 50% da empresa) num país diferente, os dois acharão que o outro não dá valor ao que estão a fazer, cada um no seu sítio. Assim, ou a empresa está sólida e os sócios reúnem-se diariamente – e acreditem que às vezes é mesmo preciso fazer ata escrita da reunião – ou o afastamento é inevitável.

Um casal precisa de viver os primeiros tempos deste admirável mundo novo – e mesmo que seja o segundo, terceiro ou vigésimo filho há sempre coisas diferentes – em conjunto. Os sócios precisam de conhecer o mercado, sentir o negócio nesta nova localização, e perceber o valor de quem fica na sucursal e quem trabalha no país de origem. Depois, alinhados e conscientes, podem ir gerir o mesmo projeto em lugares distintos. E desejar que a internacionalização seja sinónimo de muito dinheiro e sucesso, assim como muita felicidade e “para sempre”.

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