Opinião: Carlos Coelho

Pedro, The Navigator

Corrida da edição da 1987 da Fórmula Ford no autodromo do Estoril. Manuel Queiróz Pereira, Pequépê, automobilista (Foto de: Arquivo DN)

© Esta fotografia não pode ser reproduzida por qualquer forma ou quaisquer meios electrónicos, mecânicos ou outros, incluindo fotocópia, gravação magnética ou qualquer processo de armazenamento ou sistema de recuperação de informação, sem prévia autorização escrita da Global Notícias.
Corrida da edição da 1987 da Fórmula Ford no autodromo do Estoril. Manuel Queiróz Pereira, Pequépê, automobilista (Foto de: Arquivo DN) © Esta fotografia não pode ser reproduzida por qualquer forma ou quaisquer meios electrónicos, mecânicos ou outros, incluindo fotocópia, gravação magnética ou qualquer processo de armazenamento ou sistema de recuperação de informação, sem prévia autorização escrita da Global Notícias.

Contrariado, escrevo mais um texto, sobre a perda de um grande homem, que morreu, mas que deixou bem vivas as suas marcas.

Foi nas estradas que Pêquêpê, ao volante do seu BMW M3, começou por afirmar a sua marca. Há quem diga que a marca-acrónimo-de-si-próprio terá sido a forma mais discreta que encontrou para se afirmar numa família demasiado conservadora.

Sempre esteve ligado aos recursos da terra e à velocidade, mesmo quando o seu negócio no Brasil foi agrícola, acelerou dos 20 000 pés de café aos três milhões; nessa altura ainda financiado pelo pai, que sempre acreditou na sua capacidade empreendedora.

Fez-se, em vez de navegador sem rumo, um industrial focado, de espírito lutador, corajoso e orgulhoso da sua capacidade intuitiva de escolher os pilotos da sua frota planetária.

De Diogo da Silveira, atual líder da The Navigator Company, disse-me que quando o escolheu tinha mais candidatos, que fez o processo de seleção até ao fim, mas que desde o primeiro momento soube que era a ele quem queria para conduzir a sua frota mais preciosa.

Da sua marca Navigator (que tive o privilégio de criar duas vezes), disse-me que sendo um industrial e, como tal, pouco marquista, não tinha como estar certo de que fosse esse o caminho, mas se estivéssemos certos na recomendação, que a marca seria uma grande mais-valia para o futuro da sua firma; dos descobrimentos, digo eu; uma marca orgulhosamente portuguesa, desenhada sobre a esfera armilar de todas as nossas ambições.

No lançamento da The navigator Company, visivelmente orgulhoso, afirmou que os negócios nem sempre lhe davam a mesma adrenalina que os automóveis, mas que naquele momento se sentia ao volante de uma grande máquina e de volta à adrenalina de outros tempos.

Tive a honra de participar como orador numa conferência da Semapa, no seu imaculado Ritz; conferência essa onde Pedro confiou a liderança do seu grupo a João Castello Branco e onde me ficou uma nota muito especial do seu amor, não público, a Portugal.

Quando teorizei sobre o momentum do país e sobre o célebre episódio no Cais das Colunas, onde o povo se manifestou e disse ao rei: Senhor, Londres é aqui. Logo Pedro, o nacionalista, me interpelou, bem-humorado, dizendo que esperava que isso não acontecesse outra vez, para que não se perdesse a sua tão querida Lisboa.

Pedro morreu bem amado pelos que o conheceram, mas publicamente muito mal explicado, como seus eucaliptos. Morreu o industrial do papel e do cimento, que tanto queria para Portugal um futuro de betão. Um Navigator, discreto, cujo papel foi muito além do seu papel.

Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial

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