Opinião

Perguntas de um leitor letrado

Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

Despesa do Estado é elevada, originando pesada carga fiscal. Protesta-se. "Hospitais pagam a privados 4,5 milhões para internar doentes". É má gestão?

Populismo, “fake news”, extremismos. Anda no ar uma preocupação com o estado da democracia. Num contexto destes, o papel da comunicação social (CS) ganha importância. Informar, escrutinar, explicar. Uma agenda de responsabilidades numa altura em que os média tradicionais atravessam uma crise profunda. A concorrência das redes sociais e de plataformas digitais criou desafios novos a que têm de aprender a responder, com ou sem um novo enquadramento de políticas, logo se verá. Enquanto a discussão se faz, urge readquirir reputação. Urge diferenciar, alimentar as redes sociais, usá-las e não as reproduzir, mimetizar e, menos ainda, seguir. Tomar a iniciativa. Difícil, sem dúvida. Ouso ilustrar.

As desigualdades sociais são palco fértil para os populismos medrarem. Nos últimos dias, vários órgãos de CS noticiaram as disparidades de rendimento, nas empresas, entre os administradores e a média dos respetivos trabalhadores. Os comentários, nas redes sociais e “sites” dos jornais, são os habituais. Em Portugal, há 15 anos o exercício era impossível: as empresas não eram obrigadas a individualizar as remunerações dos membros do conselho de administração. Valore-se essa evolução. Não se ignore que a política tributária reduzirá essas assimetrias quase para metade. O que faz o Estado com esse dinheiro? Não se penalize o trabalho! Se o mesmo rendimento fosse obtido pela via de juros ou dividendos, pagaria metade dos impostos, na melhor das hipóteses; quase nenhum dos identificados surge entre os mais ricos do país. O problema da desigualdade não está (só) aqui.

A despesa do Estado é elevada, originando pesada carga fiscal. Protesta-se. “Hospitais pagam a privados 4,5 milhões para internar doentes”. Inculca-se má gestão, desperdício, benefício para os privados. Regurgitam comentários. É mesmo má gestão? Ou boa? Podia fazer-se no público? A que custo? A confusão entre não pagar e não ter custo é um dos erros responsáveis pelo monstro público. O título só procura um “soundbite” (perigoso) ou traduz uma agenda ideológica?

Tantas notícias, quantas perguntas.
Alberto Castro, economista, professor universitário

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