Opinião: Carlos Coelho

Pessoa. Marquista de Portugal

Fernando Pessoa

Fez na quarta-feira de Santo António 130 anos do nascimento do mais visionário marketeer de Portugal. Fernando Pessoa foi, como dizia de si próprio, o ponto de reunião de uma pequena humanidade só dele. Um local de síntese da alma da marca de Portugal.

Pessoa escrevia, desenhava, publicava, traduzia e quase não dormia. Desmultiplicou-se para caber dentro de si próprio. Criou, ao longo da sua curta vida, três heterónimos principais: Caeiro, Reis e Campos, e várias dezenas de outras personalidades literárias.

Pessoa foi tanta coisa – foi publicitário e criou para a Coca-Cola o famoso slogan “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”; foi tradutor, porque queria que os portugueses estivessem abertos a outras culturas; mas, pela minha imaginação, foi acima de tudo “marquista”. Álvaro de Campos, que já na altura fazia projeções quânticas da teoria das marcas, dizia: “Quanto mais unificadamente dispersa (…) mais completa será pelo espaço inteiro.”

ma marca deverá ser flexível e ambiciosa, deverá desmultiplicar-se dentro de si própria, fazendo caber-se de todos os sonhos do mundo. Uma marca para ser grande deverá ser inteira, constituindo-se como um local de síntese de uma alma que se quer múltipla. Uma marca deve ser muitas coisas, mas deve ter uma missão, ou ser em si mesma uma missão. Deverá ser física, mas será um corpo espiritual que se deverá sobrepor ao material. Deverá ter uma língua universal, que se expresse pelo coração, se mova pelo pensamento e se meça pela inteligência. Uma grande marca deve ser um verbo do futuro que esteja sempre preparada para liderar o império da imaginação.

Pessoa imaginou tudo isto e, não sendo unanimista, foi unânime; a marca de Portugal é de facto múltipla como nenhuma outra, é imaterial, essencial e multinacional.

Pessoa deixou-nos uma Mensagem que significa mens agit e consiste no poder que resulta das múltiplas sinergias existentes entre a mente (mens) e a ação (agit). Uma palavra que incita o papel que a marca de Portugal deverá assumir no mundo. O V Império, o império da imaginação. Uma marca capaz de intervir na espiritualidade do homem; uma grandiosa obra da humanidade, cujo mentor seria Portugal.

A nós, pessoas de Pessoa, cumpre-nos implementar o seu plano, de marketing, para a tão imaginada marca de Portugal.

Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial

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