Poderosas fraquezas

Os eleitores já não vão em ilusões e não acreditam no marketing político presidencial.

Os eleitores já não vão em ilusões. O leão transformou-se em gato. O cordeiro vestiu a pele de lobo. O bonzinho deitou as garras de fora e os antigos aliados digladiam-se sem tréguas. Na campanha presidencial ninguém parece revelar como é de verdade e quase todos querem ser aquilo que afinal não são. Porquê?

Não há nada mais eficaz do que revelarmos honestamente quem verdadeiramente somos. A regra serve para a vida e vale ouro em comunicação. Ora, quando nos preparamos para escolher o mais alto representante da nação, todos os candidatos deveriam estar a mostrar parte do seu verdadeiro eu, e não uma qualquer figura plástica criada para angariar votos. Os eleitores procuram um exemplo, um porto seguro, uma última instância para ajudar o país quando tudo o mais falha. Querem na Presidência da República exemplos de serenidade, ponderação, mas nos debates da pré-campanha vimos precisamente o oposto.

Em vez de honestidade e sinceridade, alguns candidatos criaram personagens moldadas e fabricadas. Uma espécie de alter egos. Figuras desenhadas com regra e esquadro como mandam os tradicionais manuais de comunicação. Uma tentativa de contrariarem quem são, como se receassem que as verdadeiras características de cada um fossem encaradas como fraquezas. Nada mais errado! Cada um deles deveria mostrar sim a sua verdadeira essência, incluindo os defeitos, porque é isso que faz deles seres únicos e confiáveis. Contrariar as suas naturezas bélicas ou pacificadoras, moderadas ou determinadas, é um grande erro. Não há arma política mais eficaz para ajudar a escolher o chefe de estado do que a honestidade no confronto e sentido de responsabilidade na postura.

Os eleitores já não vão em ilusões. Seguramente não mudam de opinião nem acreditam nestas novas personagens criadas pelo marketing político presidencial. Fazer debates com argumentos para denegrir opositores, discussões sobre perfis psicológicos em vez de ideias sólidas e lavar roupa suja em vez de projetos credíveis, não funciona. Assim, dificilmente vão conseguir conquistar mais votos, apenas afastam eleitores e ajudam a aumentar a abstenção.

Gosto de pessoas que choram e gosto ainda mais de presidentes que não receiam mostrar as suas emoções, vulnerabilidades e lágrimas. Ver o homem mais poderoso do mundo chorar em campanha, ao ouvir uma música, no enterro de um amigo ou num dos mais duros combates políticos, é um verdadeiro exemplo. Barack Obama emocionou-se genuinamente ao escutar Aretha Franklin, chorou quando foi ao funeral do filho do vice-presidente, quando agradeceu o trabalho dos colaboradores, ou ao recordar a morte de crianças durante uma dura discussão contra o poderoso lobby das armas. Isso não fez dele um homem fraco, antes pelo contrário, tornou-o ainda mais poderoso.

Porque esperam então os nossos candidatos para perderem o medo e mostrarem finalmente as suas características mais humanas? Essa mudança poderia fazer toda a diferença...a diferença que vai da derrota à vitória.

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