Políticas ao sabor do vento, o novo-riquismo governamental

Após a Cimeira do Clima, o ministro do Ambiente proclamou que a Europa lidera a descarbonização e Portugal lidera a Europa. Também as lideranças têm um verso e um reverso, pelo que a euforia do senhor ministro merece algumas considerações e enquadramento.

Portugal não é um país poluidor: a nível mundial, apresenta um valor bem inferior a 0,16% do total de emissão de gases com efeito de estufa, um valor per capita 20% inferior à média da União, e contribuiu mesmo, num dos últimos anos, com a maior redução de emissões de CO2, mais do triplo da média europeia, resultado da extremada política energética iniciada pelo governo de Sócrates e seguida pelos governos socialistas.

No entanto, e aqui está o reverso, tal política de opção pelas energias renováveis e de tributação dos combustíveis fósseis colocou o preço da energia no topo dos preços na Europa, sendo o mais elevado em termos de paridade de poder de compra. Um ónus para as famílias e um atentado à competitividade empresarial, aumentando custos, diminuindo capacidade de exportação e fomentando as importações. E um ónus injustificado, porque o enorme custo da liderança assim obtida é inversamente proporcional aos proveitos infinitesimais com que terá contribuído para a diminuição das emissões de CO2 no mundo e mesmo na Europa.

E essa desproporção e esse ónus, subsídio aos países poluidores, mais se agravam quando, em nome de uma fundamentalista descarbonização, se exibe o luxo e o novo-riquismo de encerrar unidades industriais competitivas, longe do período de amortização, impedindo-as de contribuir, pelo menos até à sua maturidade, para menorizar o custo da energia.
Assim aconteceu com o encerramento das centrais elétricas de Sines e do Pego, ou mesmo, com contornos diferentes, com a refinaria de Matosinhos, lançando para o desemprego centenas de trabalhadores.

Desemprego e os seus dramas que o ministro do Ambiente, comentando o fecho da central do Pego, classificou como "uma questão menor face à importância de Portugal ser um dos primeiros países do mundo a encerrar todas as centrais a carvão". E mais referiu: "No dia do encerramento da central vamos festejar essa data com enorme alegria."

Melhor seria que festejasse outra liderança, a de harmoniosas políticas públicas ao serviço da economia, dos cidadãos e do ambiente!

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