Opinião

Por que precisamos da Economia Circular?

Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens
Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Os atuais padrões de consumo e as alterações climáticas exigem encontrar, em conjunto, soluções que possam ser uma alternativa à tradicional economia linear. Tudo porque, nos últimos 100 anos, as necessidades da população mundial provocaram um enorme impacto. Por exemplo, passámos a usar 34 vezes mais materiais naturais ou sintéticos, 27 vezes mais minerais e 12 vezes mais combustíveis fósseis.

A crescente procura tem consequências e, por essa razão, é necessário desenvolver novas abordagens que convergem num sistema em torno do conceito de circularidade. O desafio é simples: prolongar a vida dos produtos, reduzir os resíduos e incentivar a recolha seletiva, a separação e a reciclagem.

A Economia Circular é isto, mas também muito mais. Às boas práticas, juntam-se as oportunidades, com mais inovação, criação de emprego e sinergias. Decisores políticos, académicos, criativos e técnicos devem partilhar experiências, a nível nacional e internacional. A cooperação não pode nem deve ter fronteiras.

No entanto, ao falarmos de uma realidade ainda em implementação, surgem dúvidas. Desde logo, é preciso clarificar quem lidera os processos, como se pode partilhar uma visão de futuro à escala global e que metas devem ser estabelecidas.

Atualmente, há enquadramentos que devem servir de base, como o Acordo de Paris e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A um nível mais localizado, Portugal conta com o Plano de Ação para a Economia Circular e todas as iniciativas no âmbito da União Europeia.

Neste aspeto da integração regional, é importante referir o papel de mecanismos como o Banco Europeu de Investimento, que, em cinco anos, já cofinanciou projetos de Economia Circular no valor de 2,1 mil milhões de euros. As áreas são variadas, mas apresentam uma prevalência em ambiente, inovação e pequenas e médias empresas.

A Sociedade Ponto Verde também tem contribuído para esta ação de mudança, ao financiar dezenas de projetos de investigação e desenvolvimento com o objetivo de tornar o nosso país mais sustentável. Em 20 anos de atividade, somaram-se ainda parcerias com autarquias e empresas. Junto da sociedade civil, a promoção da reciclagem continua a ser uma prioridade porque todos os materiais aproveitados podem ter uma segunda vida.

Esta quinta-feira, reforçamos o nosso compromisso por um futuro melhor com a organização da “Conferência Economia Circular | Pensar o Futuro de Forma Circular”. Porque pensar não custa nada e agir só depende de nós. Passemos então da teoria à prática, por um futuro melhor.

Ana Isabel Trigo Morais, CEO Sociedade Ponto Verde

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