Por que são as startups de impacto tão importantes para desenvolver a economia

Já temos exemplos de grandes comunidades e empresas tecnológicas que assumiram compromissos.

Em março deste ano, vimo-nos ameaçados por um inimigo comum e não hesitámos em agir concertadamente para responder, no imediato, aos desafios que surgiram. Fomos um exemplo, fomos elogiados e copiados, e exportámos equipamentos, ferramentas e métodos. Neste período, várias organizações portuguesas readaptaram processos e modelos de negócio e, mais relevante do que tudo isso, surgiram novas startups, pelas mãos de empreendedores capazes de capitalizar a oportunidade (que aparentava ser avessa) para impactar a sociedade com soluções inovadoras com vista ao bem comum, e ainda manter a atividade, nalguns casos até com resultados nunca antes vistos.

Durante a pandemia da covid-19, ao contrário da tendência na maioria dos restantes sectores, o investimento na economia de impacto cresceu. Cresceu porque pela primeira vez o mundo experienciou a dificuldade no coletivo e ativou as ferramentas necessárias, com destaque para o uso da tecnologia, para as combater. Vimos aplicações como a CovidApp para o despiste de sintomas; recentemente, a aplicação STAYAWAY COVID do governo português para a prevenção de novos surtos; empresas como a Science for You, por exemplo, que adaptou máquinas industriais para produzir material de desinfeção e proteção médica; plataformas para videoconsultas, como o acalma.online, e soluções de ensino à distância, da Porto Editora e da startup ubbu; campanhas de angariações de fundos como a de material hospitalar organizada pela GoParity; surgiram ainda diversos projetos de robótica e Inteligência artificial para o acompanhamento de doentes e triagem em alguns hospitais mais avançados pelo mundo; entre muitas outras soluções de base tecnológica e ética (ver artigo da TechCrunch para mais exemplos internacionais) que nos ajudam todos os dias a travar esta crise.

Já antes da pandemia a tendência no setor empreendedor nacional apontava para a crescente preocupação com a sustentabilidade, com o lançamento de prémios de inovação dirigidos ao impacto ambiental e social, com Venture Capitalists (VC) Business Angels - à semelhança dos aceleradores internacionais de prestígio, como o Y Combinator, o 500 Startups, e o Techstars - cada vez mais interessados nas métricas de impacto das startups. Destaque para os atores nacionais focados no tema como o Portugal Inovação Social (com uma verba de 150 milhões para a inovação social), a Fundação Calouste Gulbenkian (com a Mustard Seed MAZE, um fundo de 30 milhões de euros), o Banco Montepio em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (um projeto de 1 milhão e 350 mil euros), o fundo filantrópico +Plus da Casa do Impacto (500 mil euros) e ainda a startup GoParity (já angariaram 2.5 milhões de euros para projetos sustentáveis).

As empresas com um propósito social criam trabalho, fornecem produtos e serviços inovadores e promovem a sustentabilidade. Segundo a Conta Satélite da Economia Social, em 2016, a Economia Social representava 3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB), tendo aumentado 14,6% nos três anos anteriores, um valor muito acima da média relativamente ao conjunto total da economia (8,3%). No mesmo período, representou 5,3% das remunerações e do emprego total e 6,1% do emprego remunerado da economia nacional, tendo aumentado 8,8% e 8,5% face a 2013.

É aqui que o empreendedorismo e a inovação têm um papel fulcral. Tanto as grandes organizações, como os pequenos negócios e startups podem e devem incorporar modelos de impacto, sem terem que esquecer o profit. As startups de impacto são inovadoras, rentáveis e escaláveis.

A verdade é que a tecnologia é hoje a base da sociedade em praticamente todas as áreas da vida, por isso o foco deverá assentar na convergência desse desenvolvimento com as necessidades do Homem e do Planeta, com a criação de iniciativas tecnológicas de base ética: a chamada “tecnologia pelo bem” (ou Tech4Good), com fim à qualidade de vida em todo o mundo. A tecnologia bem direcionada pode potenciar o desenvolvimento da sociedade e também a resolução de diversos dos desafios estruturais que enfrentamos globalmente. Dentro da tecnologia reconheço que há disciplinas com maior propensão para o impacto como a Inteligência Artificial, Internet of Things, Realidade Virtual e Aumentada, Impressão 3D, Cleantech, FinTechs, HealthTech, EdTech e energia.

Para além de se tratar de um tema urgente de ser concretizado pelo bem comum, hoje os consumidores estão mais exigentes e já esperam que as empresas gerem impacto social e económico, para além do financeiro, e esta tendência está a gerar e a pressionar todas as organizações para uma crescente preocupação com os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

De acordo com um estudo da Samsung, 90% dos jovens entre os 18 e os 25 anos acreditam que a tecnologia é a chave para uma sociedade mais inclusiva, justa e sustentável, e as principais preocupações assentam no combate às alterações climáticas e no emprego e segurança económica. E já temos exemplos de grandes comunidades e empresas tecnológicas como a PwC e a Comunidade Tecnológica Canadiana que assumiram os seus compromissos e reformularam políticas de acordo com as suas preocupações.

Na Casa do Impacto, o compromisso é potenciarmos o impacto criado pelos empreendedores sociais com quem trabalhamos diariamente; eles impactam, a Casa do Impacto facilita e promove esse impacto, em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, dando acesso a concursos, como o Santa Casa Challenge, para premiar soluções digitais de impacto; ao programa de aceleração Rise for Impact, que capacita e premia soluções inovadoras de impacto; e ao fundo +Plus para apoiar o crescimento de novos negócios disruptivos.

Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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