Porque é que as experiências fazem a diferença no turismo  

Esta crise veio trazer de novo a aposta na inovação para a agenda estratégica do país. As restrições colocadas em sede de realização de viagens e as condições de acolhimento que o nosso país propicia estão a relançar a aposta em novos conceitos um pouco por todo o país. A inovação com tradição representa de facto uma nova oportunidade de relançamento da economia e de adaptação a uma nova filosofia de vida que esta pandemia veio trazer. Mas significa também a necessidade de ter uma visão clara de qual deve ser o foco que deve ser colocado do ponto de vista estratégico em termos de investimento e fixação de capital e de pessoas. Neste tempo de verão e de férias, o Algarve também dá o exemplo e são vários os exemplos desta agenda que pudemos testemunhar de forma muito positiva.

A gastronomia é há já muito tempo uma das marcas de referência do nosso país, com um forte impulso em termos de captação e mobilização de turismo. Entre os muitos exemplos desse compromisso inteligente entre inovação e tradição a referência a dois casos que surpreendem pela forma como têm conseguido fazer da sua marca um selo de qualidade reconhecida - no interior algarvio, o Vila Lisa (este ano marcado pela morte dum dos seus fundadores, o chefe pintor José Vila) e no litoral mais sofisticado o incontornável Gigi. Em ambos os casos uma refeição - num espaço desenhado ao pormenor - é uma experiência única, que vale pelo momento que propicia em termos de poder desfrutar duma gastronomia de excelência num ambiente de referência.

Nunca como agora as experiências foram tão importantes para elevar a cadeia de valor do nosso turismo e aumentar o nível de fidelização por parte de muitos mercados e nichos de clientes mais exigentes. O Vila Lisa e o Gigi representam, cada qual no seu contexto, a afirmação de um conceito de experiência que se consegue manter estável mesmo em tempo de crise e contribuir para a promoção de uma cultura de saber fazer bem, tão importante para referenciar uma marca nos cada vez mais competitivos e exigentes mercados internacionais. Numa altura em que neste tempo de pós pandemia o turismo enfrenta grandes desafios de reposicionamento estratégico, estes dois exemplos de experiências na área gastronómica são de facto muito interessantes e apelativos.

Também em muitas outras áreas esta aposta no contexto e conceito das experiências tem dado resultado. Entre as muitas que o Algarve neste tempo de férias nos propicia, o destaque para o fantástico trabalho de promoção da marca inconfundível da Nacional 2 que o município de São Brás de Alportel está a realizar. A aposta na Casa da Memória como o espaço que sintetiza a história de uma das estradas mais icónicas do nosso país e o papel de todos aqueles que contribuíram para a sua conservação ao longo dos anos é um caso exemplar de como também na área da cultura as experiências farão cada vez mais a diferença. O trabalho que Sónia Martins tem feito de promoção deste espaço é notável e corresponde a uma forma muito prática de renovar a oferta turística dum Algarve Interior que tem grandes desafios para o futuro.

É preciso perceber que a renovação do nosso turismo não se faz por decreto. Terá cada vez mais que assentar em experiências diferentes que combinem de forma inteligente inovação com tradição e possam ser o fator que fará a diferença na consolidação e fidelização dos mercados. Apostar no valor com um forte sentido de competência e confiança, esta é a marca destas apostas que vieram para ficar e serão a diferença no futuro que aí vem.

(O autor escreve de acordo com o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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